PEQUENO GLOSSÁRIO DA DIREITA PARA AS ELEIÇÕES
Em artigo publicado no site Pragmatismo Político, o autor Delmar Bertuol propõe um glossário para identificar eufemismos e falácias usados por candidatos de direita durante o período eleitoral. O texto parte da constatação de que, tanto à esquerda quanto à direita, candidatos recorrem a subterfúgios para não dizer certas ideias de forma direta ou para apresentá-las de maneira distorcida.
Segundo o autor, um dos termos mais recorrentes é a "modernização" das relações de trabalho, que, na prática, significaria substituir a negociação coletiva por acordos individuais entre patrão e empregado. Bertuol cita ainda o exemplo do plano de governo atribuído a Flávio, que falaria em não aumentar o salário-mínimo acima da inflação, enquanto o próprio candidato, quando questionado, afirma que vai valorizá-lo.
O glossário reúne expressões ouvidas em programas de direita e as interpretações que o autor faz delas. Entre os exemplos estão:
- "O povo não aguenta mais o PT no poder" — para o autor, significa que a direita não aguenta mais perder eleições;
- "A criminalidade aumentou" — ele afirma que a sensação de violência cresceu, mas que, exceto o feminicídio, os demais crimes diminuíram;
- "Flávio vai diminuir a criminalidade" — questiona como isso ocorreria, citando supostas relações do candidato com bandidos e milicianos e o aumento de armas nas mãos de facções no governo anterior;
- "Lula dividiu o governo com Alexandre de Moraes" — classifica como mentira e lembra que a indicação de Moraes ao STF foi feita por Michel Temer;
- "O Brasil não aguenta mais esta polarização" — responde que o país aguenta, tanto que está polarizado;
- "Eu sou a terceira via" — diz que os que se apresentam assim seriam um "acostamento do bolsonarismo";
- "Vou anistiar os envolvidos em 8 de Janeiro" — afirma que quem defende isso também é golpista;
- "Vamos ajudar quem realmente produz" — sustenta que quem produz são os empregados, não os proprietários;
- "Não é que eu seja contra o fim da escala 6x1, é que acho que não pode ser agora" — compara a argumentação à usada por quem defendia adiar o fim da escravidão;
- "O PT odeia o agro" — rebate citando benefícios a agricultores familiares e ao agronegócio em governos petistas;
- "Vamos incentivar o empreendedorismo" — interpreta como transferir ao trabalhador o risco da própria sobrevivência;
- "Somos patrióticos", "Somos pela família", "Somos cristãos" — contrapõe cada uma dessas afirmações a posições que atribui à esquerda.
O autor também rebate a ideia de que Lula seja comunista, afirmando que ele já se declarou corinthiano, e nega que o PT persiga evangélicos, citando o crescimento de igrejas neopentecostais durante os governos petistas. O texto termina de forma abrupta, sem conclusão, indicando que o autor ainda teria outras críticas a apresentar.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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