A defesa de Alexandre de Moraes antes da sessão no STF que definirá seu futuro
Na véspera de uma sessão no Supremo Tribunal Federal (STF) que decidirá seu futuro no caso do Banco Master, o ministro Alexandre de Moraes enviou ao tribunal uma manifestação em que acusa o ministro André Mendonça de "vingança" e de uso "político-eleitoral" do inquérito. O documento, de 44 páginas divididas em 121 pontos, foi enviado na segunda-feira (14/09) ao ministro Edson Fachin, que havia determinado que Moraes se manifestasse sobre as revelações do caso.
Na manifestação, Moraes afirma não ter cometido nenhuma irregularidade e diz ser alvo de retaliação política. "Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA", escreve. Segundo o ministro, a tentativa de golpe não terminou em 8 de janeiro de 2023, apenas mudou seu modo de agir, e o STF voltará a resistir.
Sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, Moraes sustenta que não houve interferência de sua parte antes da prisão, em novembro. Ele observa que a detenção ocorreu no embarque na alfândega do maior aeroporto do país, com passaporte verdadeiro e o investigado portando o próprio celular, e afirma que nenhum investigado agiria assim se tivesse conhecimento prévio da prisão. O ministro nega a existência dos diálogos divulgados e afirma que, das 52 notas extraídas do bloco de notas do celular de Vorcaro, 47 não foram localizadas em conversas de WhatsApp. Diz ainda que não há indício de consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operação policial, e que jamais julgou processos do Banco Master ou de Vorcaro.
Moraes acusa Mendonça de ter divulgado apenas em setembro dados que já conhecia desde maio e de ter escolhido o momento político mais oportuno para levar adiante a investigação. Afirma que a apuração contra um ministro do STF não poderia ter sido feita sem pedido da Procuradoria-Geral da República e autorização do Plenário. O ministro também diz que Mendonça tratou de forma diferente casos envolvendo os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques.
O ofício aponta ainda suposta quebra da cadeia de custódia do material, que teria permitido acesso de terceiros, "possivelmente autoridades estrangeiras". Sem citar Jair Bolsonaro, Moraes sugere ser alvo de vingança por ter sido relator do julgamento que levou o ex-presidente à prisão por tentativa de golpe. Sobre o contrato de R$ 131 milhões entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e o Banco Master, ele afirma que jamais atuou em casos da banca e que a defesa do escritório já foi apresentada em nota pública.
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