Como Lula vem perdendo apoio no Nordeste no confronto com Flávio Bolsonaro
O presidente Lula (PT) enfrenta o maior nível de desaprovação no Nordeste desde o início do ano, segundo pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira (7). O movimento ocorre a menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026 e pressiona o petista no confronto com Flávio Bolsonaro (PL).
O Nordeste é historicamente o principal reduto eleitoral de Lula e do PT, região onde obteve as maiores margens em disputas anteriores. Em 2022, ele alcançou 69,34% dos votos válidos no segundo turno na região, contra 30,66% de Jair Bolsonaro (PL), resultado que ajudou a garantir a vitória nacional por pouco mais de 2,1 milhões de votos.
Neste ano, as pesquisas indicam nova vitória no Nordeste, mas sem a mesma dimensão de quatro anos atrás. Na simulação de segundo turno contra Flávio, Lula aparece com 60% das intenções de voto, contra 28% do candidato do PL. Como o levantamento inclui brancos, nulos e indecisos, a expectativa é de percentual um pouco mais alto, mas insuficiente para repetir os 69% de 2022.
Um dos fatores que ajudam a explicar o cenário é a desaprovação do petista na região. Em janeiro deste ano, 30% dos eleitores nordestinos desaprovavam a gestão de Lula; em setembro, o índice subiu para 35%. Houve recuperação de julho para agosto, mas desde então a desaprovação voltou a crescer: em apenas um mês, avançou 6 pontos percentuais, enquanto a aprovação recuou na mesma medida.
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula passaria obrigatoriamente pelo Nordeste. O candidato do PL visitou a região no início do período oficial de campanha, com primeira parada em Maceió (AL), terra de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL). Gaspar tem sido usado como ponto de conexão com o eleitorado nordestino e afirma que "o Nordeste não quer viver de promessas". Diante do desempenho nas pesquisas, Flávio planeja nova ofensiva na região na próxima semana.
Nos estados nordestinos, a disputa local impõe dificuldades à esquerda. Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, e Elmano de Freitas (PT), no Ceará, buscam a reeleição e enfrentam ACM Neto (União Brasil) e Ciro Gomes (PSDB), respectivamente. Nas pesquisas mais recentes da Quaest, os cenários apontam empate técnico no segundo turno. Em Pernambuco, o aliado de Lula, João Campos (PSB), perderia a disputa no segundo turno para Raquel Lyra (PSD).
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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