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Apartamento, aviões e Taylor Swift: O esquema e as trocas entre Jaques Wagner e cúpula do Master

Por Ivan Marra
Atualizado em 12/09/2026 às 16:20 schedule 4 min de leitura visibility 35 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta "robustos indícios" de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e executivos do Banco Master. O documento foi trazido a público após a quebra de sigilo das investigações sobre as operações da instituição financeira, autorizada pelo ministro André Mendonça.

Segundo a PF, o parlamentar teria recebido uma série de benefícios de Augusto Ferreira Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Entre eles está a articulação para a compra de um apartamento de luxo em Salvador (BA), avaliado em R$ 2,45 milhões. Para ocultar o real beneficiário do imóvel, a operação teria sido estruturada por meio de fundos de investimento ligados à REAG Administradora e registrada em nome de uma empresa interposta, a Epítome S.A., administrada por terceiros. Diálogos interceptados indicariam o senador enviando os dados do imóvel a Augusto Lima, que teria coordenado a engenharia financeira para a aquisição.

O relatório também aponta a transferência de pelo menos R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa que tem como sócios Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador, e Bonnie Toaldo Bonilha, sua nora. Os recursos partiram da PKL One Participações S.A., ligada a Augusto Lima. Mensagens obtidas pela PF comprovariam o enteado do parlamentar cobrando diretamente o banqueiro pela liquidação de boletos altos.

A PF identificou ainda ao menos quatro situações em que o senador teria sido transportado em aeronave pertencente a Augusto Ferreira Lima ou operada por pilotos vinculados ao ex-banqueiro ou ao Banco Master, sem registro de pagamento ou contraprestação. Entre as viagens, Wagner e sua esposa, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, teriam passado dias com a família do banqueiro na "Ilha da Paixão", imóvel de Ferreira Lima. O banqueiro também teria providenciado ingressos de camarote para shows da cantora Taylor Swift em São Paulo, em 2023, destinados a familiares de Wagner — quase R$ 67 mil em cortesias pagas pelo grupo financeiro.

Como contrapartida, a PF aponta que Jaques Wagner teria atuado em pautas estratégicas para o banco no Congresso. O documento destaca o engajamento do senador na tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022, convertida na Lei nº 14.431/2022, que ampliou margens e regras do crédito consignado. Também foram interceptadas conversas e reuniões entre o chefe de gabinete de Wagner e Daniel Vorcaro dias antes da apresentação da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que propunha elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — mudança que acabou não ocorrendo. A PF cita ainda a atuação do parlamentar como um dos fiadores políticos, na visão dos executivos do Master, para apoiar a operação de aquisição do banco pelo Banco de Brasília (BRB).

Para aprofundar as investigações, a PF pediu a Mendonça mandados de busca e apreensão em dezenas de endereços ligados aos investigados, quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos e acesso a dados de dispositivos eletrônicos. O pedido incluiu autorização para apreender dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil, obras de arte, joias, veículos, aeronaves e itens de alto valor sem origem justificada. O relatório é assinado por cinco delegados da PF, mas não traz as assinaturas do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, nem do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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