Governo Lula 3 mantém R$ 83 milhões do cartão corporativo em sigilo e barra 22 mil pedidos via LAI
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém sob sigilo cerca de R$ 83 milhões em despesas do cartão corporativo da Presidência da República e acumula 22.474 pedidos de acesso à informação classificados como negados desde 2023, segundo dados do painel Busca LAI. Os números contrastam com o discurso de transparência adotado pelo petista na reta final da campanha eleitoral.
Os gastos do Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF) vinculados à Presidência somaram R$ 84,54 milhões entre 2023 e agosto de 2026. Desse total, R$ 83,37 milhões foram classificados como sigilosos, o equivalente a aproximadamente 98,6% do desembolsado no período. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato, foram R$ 24,06 milhões sob sigilo; em 2024, R$ 26,32 milhões; em 2025, R$ 22,73 milhões; e, nos oito primeiros meses de 2026, R$ 10,25 milhões.
Nesse tipo de gasto, é possível ver apenas o mês e o ano da despesa, o valor e a unidade administrativa responsável pela transação, como o Gabinete Pessoal do Presidente. Não há acesso a dados como a data exata, o nome do portador do cartão ou o fornecedor do bem ou serviço adquirido. A classificação costuma ser fundamentada na proteção da segurança do presidente, de seus familiares e das equipes de proteção, já que informações sobre deslocamentos, hospedagens e itinerários poderiam expor rotinas e comprometer a atuação dos agentes públicos.
As negativas de acesso à informação se mantiveram acima de 5 mil por ano em todo o período analisado: 6.292 em 2023, 5.613 em 2024, 5.535 em 2025 e 5.034 até outubro de 2026. Entre as justificativas previstas nas regras estão a proteção de dados pessoais, o sigilo legal de documentos, a preservação de informações de segurança e hipóteses de documentos preparatórios, além de situações em que o órgão alega que o atendimento exigiria trabalho adicional desproporcional.
Dois exemplos ilustram as negativas. Em setembro de 2026, o Ministério das Relações Exteriores indeferiu pedido sobre custos, datas e justificativas de hospedagens em embaixadas brasileiras, incluindo a estada da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, com assessores, enquadrando o requerimento como genérico. Já o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) negou, mais de uma vez, registros de entrada e saída em agendas oficiais nos Palácios da Alvorada e do Planalto desde 1º de janeiro de 2023, com base na proteção à intimidade e à vida privada e em risco à segurança de altas autoridades. O órgão justificou que os compromissos públicos do presidente no Alvorada já são disponibilizados em transparência ativa no portal oficial da Presidência.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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