Quem é Daniella Marques e como ela se tornou o braço direito de Flávio Bolsonaro
Nascida em 1979 em Barra Mansa, no interior do Rio de Janeiro, Daniella Marques construiu uma trajetória que começou no mercado financeiro e desembocou no centro do poder em Brasília. Filha de um funcionário de carreira do Banco do Brasil e de uma professora da rede pública estadual, ela costuma contar que, dos 8 aos 12 anos, brincava de trabalhar na agência onde o pai atuava. Formou-se em administração de empresas pela PUC-Rio e iniciou a carreira como estagiária no Banco Prosper. Antes dos 30 anos, já era diretora-executiva da Oren Investimentos e, em dezembro de 2010, assumiu a Diretoria de Risco e Compliance da Mercatto.
Em 2013, passou a trabalhar ao lado de Paulo Guedes na Bozano Investimentos, que havia adquirido a Mercatto. A proximidade levou Daniella a integrar a equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro no fim de 2018. Nos quatro anos seguintes, atuou como braço forte do então ministro da Economia: começou como chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos, participando da negociação da reforma da Previdência, do Auxílio Emergencial e do projeto de autonomia do Banco Central, e depois comandou a Secretaria de Produtividade e Competitividade, onde liderou a retomada dos programas Brasil Mais e Crédito Brasil Empreendedor e a regulação do mercado de carbono.
Em julho de 2022, assumiu a presidência da Caixa em meio a uma crise de imagem do banco, após denúncias de assédio moral e sexual contra seu antecessor. No cargo, implantou apurações independentes e criou o programa Caixa pra Elas, com espaços de atendimento feminino em mil agências, orientação financeira, linhas de microcrédito e apoio a vítimas de violência doméstica. Com o fim do governo Bolsonaro, tornou-se chairwoman e sócia da gestora Legend Capital e ajudou a fundar o Grupo Pra Elas, voltado à autonomia financeira feminina.
A aproximação com Flávio Bolsonaro começou durante a pandemia, quando passou a tratar de medidas econômicas no Senado. Em 31 de outubro de 2024, durante o chá de bebê de seu segundo filho, o senador pediu pela primeira vez sua ajuda na elaboração de um plano econômico para a campanha de 2026. Ela passou a colaborar com a pré-campanha e, em junho deste ano, assumiu formalmente a coordenação do núcleo de economia. No último domingo (18), durante o debate presidencial promovido pela Band, foi alvo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que questionou as propostas de Flávio. “A mulher da economia tem nome: sou Dani Marques e tenho muito orgulho da minha trajetória”, respondeu ela no X, ainda durante a transmissão.
Na campanha, Daniella é a principal porta-voz do programa econômico e comanda 27 grupos temáticos técnicos ao lado do economista Adolfo Sachsida e do senador Rogério Marinho (PL-RN). Em um jantar com empresários, o próprio senador a descreveu como seu “braço direito, braço esquerdo, perna direita e perna esquerda”. Seu pensamento econômico se apoia na aliança entre o liberalismo de mercado e a promoção da mobilidade social, tese que sintetiza sob o conceito de “capitalismo popular”.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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