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Ao apoiar Lula, coletivo judaico de esquerda ignora aumento do antissemitismo

Por Ivan Marra
Atualizado em 12/09/2026 às 16:05 schedule 3 min de leitura visibility 41 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O coletivo "Judias e Judeus pela Democracia-SP (JJPD-SP)" manifestou apoio à candidatura de Lula na disputa presidencial, em petição pública que menciona preocupações com a "frágil democracia" brasileira e com direitos humanos. Segundo a reportagem, o documento não aborda o avanço do antissemitismo no Brasil, tema que, conforme especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, teria sido agravado por declarações do presidente e por posicionamentos do Itamaraty, sobretudo após 7 de outubro de 2023, quando terroristas palestinos invadiram Israel e mataram mais de 1.200 pessoas.

Entre as ações e declarações citadas como negativas para a comunidade judaica estão a comparação feita por Lula entre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza e o Holocausto, a classificação de denúncias de antissemitismo como "vitimismo", a falta de esforços pela libertação do refém brasileiro Michel Nisembaum e a retirada do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) classificou, em mais de uma oportunidade, as declarações de Lula como "antissemitas" e afirmou que posturas do mandatário "provocam um aumento imediato de ataques contra os judeus". Dados da própria instituição apontam que, entre 2022 e 2024, os casos de antissemitismo cresceram 350% no país, com maior pico logo após os atentados do Hamas. Em levantamento com 1.427 judeus brasileiros, 86% disseram considerar o antissemitismo um problema no país, e 22% declararam já ter deixado de se identificar como judeus em alguma situação.

Para o rabino e professor Mincha Gamerman, esses coletivos partem de uma falsa impressão de que, por o povo judeu ter sido historicamente oprimido, precisariam agir em prol de outras minorias. Ele afirma que, sob essa justificativa, acabam se aproximando de correntes hostis ao próprio povo judeu. Já Juliana Katz, coordenadora de delegações do Ministério das Relações Exteriores de Israel, diz ser compreensível a sensibilidade em relação a outros grupos vulneráveis, mas sustenta que quem apoia um político que faz comparações com o Holocausto precisa explicar por que considera esse apoio necessário e que a crítica "precisa ter consequências políticas".

O texto também registra que o coletivo se posicionou sobre temas como a defesa do STF no julgamento da suposta trama golpista, a condenação de megaoperação policial no Rio de Janeiro, o reconhecimento da Palestina e o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Em uma de suas manifestações, o grupo definiu Lula como defensor da "justiça, da democracia, da humanidade e da paz".

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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