Gilmar reforça a Fachin pedido de acesso integral a celular de Vorcaro
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que adote medidas para garantir aos ministros que participarão do julgamento de terça-feira (15) acesso à íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em ofício encaminhado neste sábado (12), Gilmar reforçou pedido já apresentado pelo ministro Cristiano Zanin e defendeu que, caso o relator do caso, André Mendonça, não disponibilize os arquivos, a própria Polícia Federal seja acionada com urgência para fornecer cópias do material aos gabinetes dos ministros.
O pedido envolve a mídia extraída do aparelho de Vorcaro, que permanece sob custódia da Polícia Federal para preservação da cadeia de provas. O julgamento está relacionado à análise de um relatório da PF elaborado a partir do conteúdo do celular, no qual foram identificadas mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. A Corte deverá avaliar questões ligadas à validade do relatório e à possibilidade de investigação envolvendo Moraes no caso Master.
Gilmar argumentou que o acesso ao material deve ser assegurado de forma igualitária aos ministros que participarão da análise. Segundo o decano, o fato de uma cópia da mídia estar disponível ao gabinete de Mendonça, sem que o mesmo conteúdo seja distribuído aos demais integrantes do colegiado, comprometeria a paridade interna do tribunal. O ministro afirmou que o compartilhamento integral permitiria que cada integrante formasse sua convicção jurídica com base no conjunto completo das informações, e não em "sínteses parciais" do conteúdo.
Mendonça informou a Zanin que o aparelho físico original não está sob sua posse e permanece armazenado pela PF. O relator afirmou dispor de uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, enviada pela Polícia Federal em março de 2026 e que permanece lacrada, e disse que nunca manuseou o material. Sustentou ainda que a divulgação integral dos dados poderia prejudicar investigações em andamento e rejeitou a alegação de desigualdade entre os ministros. Alexandre de Moraes também se manifestou sobre a condução do caso e acusou Mendonça de promover um levantamento "seletivo e direcionado" do sigilo.
Na sexta-feira (11), Gilmar já havia enviado outro ofício a Fachin pedindo que a Presidência do STF assuma a condução dos processos relacionados ao caso e que as questões envolvendo a atuação de Mendonça sejam consideradas no julgamento de terça-feira. O decano afirmou ter "sérias dúvidas" sobre se o processo está pronto para análise pelo Plenário e defendeu que processos ligados aos mesmos fatos e provas sejam reunidos. Caso a sessão seja mantida, sugeriu que Fachin apresente inicialmente uma visão geral dos fatos e que questões preliminares sejam analisadas antes do mérito, entre elas o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja reconhecida a nulidade do relatório da PF.
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