Mendonça diz que recebeu alertas de represálias após divulgar dados da PF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter recebido alertas, de forma explícita e implícita, sobre possíveis represálias após decidir levar ao STF informações da Polícia Federal relacionadas ao caso Banco Master. Segundo o ministro, os avisos mencionavam ataques contra ele e pessoas próximas, mas ele declarou que continuará exercendo suas funções.
A declaração ocorre em meio ao agravamento da crise envolvendo as investigações sobre o Banco Master. Mendonça tem enfrentado críticas de outros ministros da Corte, ao mesmo tempo em que nega ter ameaçado colegas e rejeita acusações de atuação política na condução do caso. O episódio amplia a tensão entre os integrantes do STF.
Também nesta quinta-feira (17), o ministro Flávio Dino reforçou o pedido para aprofundar a investigação sobre o encontro entre Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrido no ano passado, enquanto autoridades apuravam a relação do Banco Master com concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo. Na nova decisão, Dino pede à Polícia Federal que inclua uma segunda funerária na investigação, aciona a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e volta a comunicar a presidência do STF sobre a atuação de Mendonça.
O novo despacho é complementar à decisão do último dia 15 na ADPF 1.196, ação apresentada pelo PCdoB contra leis municipais que transferiram à iniciativa privada a gestão dos cemitérios e serviços funerários de São Paulo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou Mendonça de usar a relatoria do caso Master para "fazer política" e denúncias "seletivas". Em entrevista à rádio Itatiaia, o mandatário disse que o ministro deve ser julgado pela Corte junto com o ministro Alexandre de Moraes. "Agora tem o telefone [de Daniel Vorcaro], que estava com o André Mendonça, que estava utilizando o cargo de relator para fazer política, está provado que ele estava fazendo política, fazendo denúncia seletiva e divulgando aquilo que interessava a ele", afirmou Lula.
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