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Mymba Kuéra: como foi o monumental resgate de mais de 30 mil animais durante a construção de Itaipu, entre o Brasil e o Paraguai

Por Ivan Marra
Atualizado em 19/09/2026 às 14:20 schedule 3 min de leitura visibility 39 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O engenheiro agrônomo paraguaio Darío Pérez Chena tinha 43 anos quando liderou, no lado paraguaio da construção da usina de Itaipu, um dos maiores resgates de fauna silvestre da história da América Latina. Ele dirigiu a equipe que, em 1982, salvou milhares de animais em uma corrida contra o tempo, entre macacos, tatus, cobras e tarântulas.

Pérez Chena trabalhava para a Itaipu Binacional, organismo criado por acordo entre Brasil e Paraguai e encarregado da construção da hidrelétrica no rio Paraná. Com mais de 7 km de comprimento, a usina passou a ser, na época, a maior do mundo. Formado no Paraguai e com pós-graduação na Alemanha, ele era diretor do Serviço Florestal Nacional do Paraguai antes de se mudar com a esposa e os filhos para Puerto Stroessner, hoje Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, para assumir a responsabilidade pela fauna e flora terrestres em Itaipu.

A obra levou nove anos e empregou cerca de 40 mil pessoas. Para trabalhar em terreno seco, foi preciso escavar um canal que desviasse o rio temporariamente. Concluídos os trabalhos em 1982, tudo estava pronto para abrir as comportas e encher o reservatório de cerca de 1.350 km². A área a ser inundada, porém, integrava a Floresta Atlântica do Alto Paraná, um dos ecossistemas mais ricos do planeta, com cerca de 20 mil espécies de plantas e pelo menos 2 mil de animais, incluindo onças-pardas e onças-pintadas, além de 400 espécies de aves.

Os preparativos duraram vários anos e incluíram um inventário de toda a área atingida, com botânicos, zoólogos e engenheiros florestais. Cada avistamento era registrado e os animais eram identificados também por rastros, como pegadas e material fecal. O resgate foi executado por uma equipe de 189 pessoas liderada por Pérez Chena, com apoio de outras 150, entre médicos, enfermeiros, pilotos de helicóptero, mecânicos e bombeiros. Os socorristas se deslocavam em lanchas e se comunicavam por rádio, frequentemente em guarani, e foram treinados por técnicos brasileiros e de outros países.

A operação começou em 13 de outubro de 1982, quando as comportas do canal de desvio foram fechadas e a região do lago começou a ser inundada. No início foram recuperados poucos animais, mas o número cresceu até o pico de mais de 600 em um único dia. Segundo Pérez Chena, foram salvos apenas os animais que não sabiam nadar — nenhuma onça-pintada, por exemplo, porque é uma grande nadadora. O resgate se prolongou até 10 de janeiro de 1983. O projeto paraguaio recebeu o nome de Mymba Kuéra, "os animais" em guarani.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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