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O 'verdadeiro Indiana Jones' que achou uma antiga cidade perdida dos incas: 'Não podíamos acreditar no que estávamos vendo'

Por Ivan Marra
Atualizado em 19/09/2026 às 14:50 schedule 3 min de leitura visibility 33 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Em 1909, o acadêmico americano Hiram Bingham III foi convocado por proprietários de terras do Peru para averiguar se um local conhecido como Choquequirao seria uma cidade inca perdida, há muito procurada e possivelmente repleta de tesouros. Acreditava-se que o lugar poderia ser Vilcabamba — "planície sagrada" em quíchua —, a antiga fortaleza montanhosa do último rei inca, nas profundezas dos Andes peruanos.

Bingham, então com 34 anos, era professor assistente de história latino-americana e estava apenas de passagem pela região. Não era arqueólogo nem procurava ruínas incas. O prefeito de Apurímac, Juan José Núñez, porém, não aceitou um "não" como resposta e insistiu que, por ter um PhD, Bingham certamente entendia de arqueologia. Cético quanto à existência de ouro no local, ele decidiu liderar uma expedição representando a Universidade de Yale em 1911 e afirmou ter encontrado a cidade perdida em Machu Picchu, revelando-a ao mundo. "Ninguém mais contesta que este é o local da antiga Vilcabamba", escreveu. Mas estava errado.

Cinquenta anos depois, em agosto de 1964, o americano Gene Savoy — apelidado de o "verdadeiro Indiana Jones" — reivindicou ter encontrado a real Vilcabamba. Savoy, de 37 anos, estava acompanhado do explorador peruano Antonio Santander Cascelli. Inicialmente, os moradores locais recusaram-se a guiá-los até o local, temendo uma lenda tribal segundo a qual os deuses matariam aqueles que revelassem sua localização. Após muita insistência, os peruanos conduziram a dupla às ruínas, cobertas de musgo e neblina, no alto de um afluente do Amazonas. "Não podíamos acreditar no que estávamos vendo", disse Savoy.

Os dois encontraram ruínas espalhadas por três platôs montanhosos, incluindo um palácio, construções de granito e calcário e fontes; apenas o primeiro platô tinha cerca de quatro vezes o tamanho de Machu Picchu. Após duas semanas, porém, os guias começaram a ir embora, temerosos das superstições tribais, e a dupla decidiu partir e retornar mais tarde. A descoberta não provou de imediato que as ruínas faziam parte da última capital inca, mas algo que encontraram lá levaria à confirmação: telhas com design espanhol e influência inca distinta na coloração e nas marcações. A importância do achado foi posteriormente reconhecida por John Hemming, especialista em cultura inca e diretor da Real Sociedade Geográfica de Londres entre 1975 e 1996, que combinou relatos de testemunhas oculares a detalhes do local.

Vilcabamba havia se tornado uma cidade lendária. Sem conseguir impedir que os conquistadores espanhóis tomassem Cusco em 1536, o rei inca Manco conduziu seu povo derrotado para as montanhas, onde formou uma capital no exílio, para onde teria levado tesouros em ouro, ídolos e as múmias de seus ancestrais. O local se tornou centro de resistência inca, mas, em 1572, diante de uma invasão, os incas incendiaram a cidade e fugiram. A última capital inca foi engolida pela selva, e sua localização permaneceu um mistério por séculos.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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