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Como uma revolta contra a corrupção e a censura derrubou um governo no Nepal

Por Ivan Marra
Atualizado em 18/09/2026 às 07:50 schedule 3 min de leitura visibility 34 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Um ano após a queda do governo do Nepal, a revolta liderada por jovens da chamada Geração Z voltou ao debate político brasileiro. Na terça-feira (15), enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) discutia a abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master, o termo “Nepal” figurou entre os assuntos mais comentados no X no Brasil. Parte das publicações citava os protestos no país asiático como exemplo de reação popular à impunidade. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino, antes da análise do caso envolvendo Moraes.

Em setembro de 2025, uma onda de protestos transformou em poucos dias uma insatisfação acumulada com corrupção, nepotismo, censura e falta de oportunidades numa crise que derrubou o governo do primeiro-ministro comunista K.P. Sharma Oli. O estopim foi a decisão do governo de bloquear 26 redes sociais e aplicativos de mensagens, sob a alegação de que as plataformas não haviam cumprido exigências regulatórias. Manifestantes e opositores viram a medida como tentativa de restringir a circulação de críticas ao governo.

Em 8 de setembro, milhares de jovens marcharam em direção ao Parlamento, em Katmandu. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, canhões de água e munição real. Pelo menos 19 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas. A repressão ampliou os protestos e, no dia seguinte, Oli renunciou. A crise evoluiu para episódios de violência e incêndios contra prédios públicos, incluindo o Parlamento e a Suprema Corte.

A insatisfação já vinha crescendo meses antes. Jovens passaram a compartilhar nas redes imagens e vídeos do estilo de vida luxuoso de filhos da elite política e econômica, com a campanha usando expressões como “Nepo Baby”. Em 4 de setembro de 2025, o governo determinou o bloqueio das 26 plataformas que não haviam cumprido a exigência de se registrar no país e nomear representantes locais. Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube, LinkedIn, Reddit, Signal e Snapchat estavam entre os serviços atingidos. A Anistia Internacional classificou a medida como uma das causas imediatas da mobilização. Mesmo com o bloqueio, ativistas continuaram se organizando por meio de VPNs e aplicativos acessíveis, com discussões no Discord e no Reddit.

Com o governo derrubado, a ex-presidente da Suprema Corte Sushila Karki foi escolhida para comandar um governo de transição, com a missão de realizar novas eleições. O processo contou com a participação de representantes da mobilização juvenil. As eleições foram realizadas em março deste ano, e o Rastriya Swatantra Party (RSP), ligado ao ex-prefeito de Katmandu Balendra Shah, conquistou 182 das 275 cadeiras do Parlamento, deslocando os partidos que haviam dominado a política nepalesa por décadas. Nesta quinta-feira (17), durante coletiva em Washington, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro mencionou o caso do Nepal ao falar sobre as tensões envolvendo o STF e afirmou que “o caminho não é ir pra rua agora, não é fazer igual o Nepal”, defendendo que a resposta da direita ocorra nas urnas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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