Como redes sociais reagiram à 'sessão de guerra' no STF - e o que isso pode sinalizar para a eleição
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da terça-feira (16/9), encerrada sem decisão após pedido de vista do ministro Flávio Dino, dominou o debate nas redes sociais e consolidou uma visão negativa sobre os ministros e a própria Corte, segundo análises de empresas de monitoramento digital. O Brasil segue sem saber se os ministros vão aprovar ou não uma investigação contra Alexandre de Moraes a respeito de suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Para o cientista de dados Sergio Denicoli, diretor da AP Exata, formou-se uma guerra de narrativas. De um lado, consolidou-se uma negatividade forte em torno de Moraes; de outro, cresceu a discussão sobre uma suposta seletividade do ministro André Mendonça para beneficiar Flávio Bolsonaro. No centro, o eleitor moderado permaneceu em silêncio. "Foram as militâncias que atuaram. Mas o eleitor de centro, moderado, ficou calado em relação aos candidatos. Isso mostra uma apatia e um distanciamento das eleições", analisa Denicoli.
O Instituto Democracia em Xeque (DX) aponta que Moraes foi o ministro mais mencionado (36% das mensagens), seguido por Mendonça (28%) e Flávio Dino (17%). O pico de publicações ocorreu pouco antes das 13h, durante os principais embates entre Moraes, Mendonça e Gilmar Mendes. Segundo Beto Vasques, diretor do DX, o tema inflamou sobretudo perfis de direita e extrema-direita, que esperavam um julgamento com Moraes como alvo e se depararam com um debate mais procedimental e com críticas duras a Mendonça. Perfis de direita converteram a sessão em argumento eleitoral, enquanto setores de esquerda falavam em tentativa de criar pânico eleitoral.
A Palver, que monitora mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, registrou que 89% das manifestações nesses grupos e 87% dos posts em redes rejeitaram o pedido de vista de Dino, interpretado por parte dos usuários como uma "blindagem" a favor de Moraes. Nenhuma narrativa, porém, predominou com folga: o tema mais presente foi "sigilo e transparência no STF", com 9% das mensagens, seguido por apoio a Mendonça (7%) e defesa de Moraes (5%).
Sobre o impacto eleitoral, Vasques avalia que o descontentamento com o STF tende a ser mais prejudicial ao presidente Lula, pela percepção de que Moraes é seu aliado e porque a pauta da corrupção não favorece o PT. Pesquisas citadas na reportagem indicam que a maioria dos entrevistados afirma que a crise não deve mudar o voto. O pesquisador pondera que ainda é difícil medir a assimilação popular e que uma nova sessão do STF está marcada para a próxima semana.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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