EUA publicam mapa de coalizão contra o narcoterrorismo e deixam Brasil de fora
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta quarta-feira (16) um mapa das Américas com os países que integram a coalizão liderada por Washington contra cartéis e organizações classificadas como narcoterroristas. O Brasil não aparece entre os destacados na imagem e não faz parte da iniciativa criada pelo governo do presidente Donald Trump.
Na publicação feita no X, o Departamento de Estado afirmou que “organizações terroristas transnacionais são o mal” e defendeu atuação conjunta dos países da região para combatê-las. “Precisamos trabalhar juntos para derrotá-las. É exatamente isso que estamos fazendo”, declarou a pasta. A mensagem acompanha a imagem do Escudo das Américas, em que os integrantes aparecem destacados em vermelho, enquanto o Brasil permanece em cinza, fora do grupo representado. O mapa traz ainda o lema “Unidos pela paz, segurança e prosperidade em todo o nosso hemisfério”.
A publicação foi feita ao compartilhar um vídeo do anúncio da entrada do Peru no Escudo das Américas. A adesão peruana foi formalmente comunicada durante a visita do secretário de Estado Marco Rubio a Lima. Ao explicar os objetivos da coalizão, Rubio afirmou que os grupos criminosos combatidos pela iniciativa não deveriam ser tratados apenas como organizações comuns. “São grupos terroristas”, disse ele em entrevista coletiva ao lado da presidente peruana, Keiko Fujimori. Segundo Rubio, essas organizações praticam extorsões, assassinatos e outras ações violentas e precisam ser enfrentadas por meio da cooperação entre os governos da região.
O Escudo das Américas foi lançado pelo governo Trump em março como uma coalizão regional voltada ao enfrentamento de cartéis, gangues transnacionais e organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas. No anúncio inicial, Washington afirmou que os participantes trabalhariam conjuntamente contra o narcoterrorismo, a interferência estrangeira e a imigração ilegal em massa. O Brasil ficou fora da iniciativa. Na época, Trump disse que convidou o governo Lula para a reunião de lançamento do escudo, mas que o Brasil não quis participar.
Documentos divulgados pelo Departamento de Estado nos meses seguintes registraram entre os integrantes países como Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago, além dos Estados Unidos. A Colômbia aderiu em agosto, após a posse do presidente Abelardo de la Espriella. No último dia 10, o Peru também anunciou sua entrada. A iniciativa ganhou ainda uma estrutura operacional chamada Coalizão das Américas contra os Cartéis, voltada à coordenação militar e ao compartilhamento de informações entre os participantes.
Em documento enviado ao Congresso dos EUA, o governo Trump afirmou que o Brasil “falhou em confrontar” o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras. Segundo Washington, as duas facções transformaram o Brasil em um centro dos fluxos globais de cocaína e representam ameaça crescente à segurança internacional. O governo Lula rejeitou a acusação. Em resposta divulgada pelo Ministério da Justiça, Brasília afirmou que não houve falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional e sustentou que o país cumpre seus compromissos internacionais de combate ao narcotráfico, citando operações das forças de segurança e investimentos no setor.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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