Baratas e sem CNH, bicicletas elétricas ganham as ruas e aumentam conflitos no trânsito
O avanço das bicicletas elétricas nas cidades brasileiras tem criado um novo desafio para o trânsito: fiscalizar veículos que, dependendo da categoria, não têm placa e não exigem registro, licenciamento ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo a Aliança Bike, mais de 850 mil bicicletas elétricas e outros veículos elétricos leves já circulam pelo país, e o crescimento tem sido acompanhado por conflitos com pedestres, ciclistas e motoristas.
Em Curitiba, o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar do Paraná relata aumento no fluxo desses veículos e ocorrências associadas a colisões em cruzamentos, interseções e travessias. Entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, foram registrados 419 acidentes envolvendo bicicletas elétricas na capital paranaense — 165 em 2024, 169 em 2025 e 85 nos primeiros seis meses deste ano. A costureira Amanda Braga, de 34 anos, foi atropelada por uma bicicleta elétrica que seguia na contramão enquanto atravessava a rua em Vila Velha, no Espírito Santo; ela fraturou a tíbia, passou por cirurgia e ficou cerca de 90 dias usando muletas.
Pela regulamentação do Contran, a bicicleta elétrica precisa ter motor auxiliar de até 1.000 watts, pedal assistido e velocidade máxima de propulsão de 32 km/h, sem acelerador manual. Ciclomotores, por sua vez, estão sujeitos a registro, licenciamento, emplacamento e habilitação. Como esses veículos não têm os mesmos mecanismos de identificação de carros e motocicletas, a fiscalização depende da abordagem presencial de um agente de trânsito. Para o pesquisador José Carlos Assunção Belotto, da UFPR, o crescimento do modal precisa ser acompanhado por educação, fiscalização e infraestrutura.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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