Como a fama de bom moço da música contribuiu para a maior crise da carreira de Ed Sheeran
O cantor britânico Ed Sheeran enfrenta o momento mais controverso de sua carreira após a decisão de retirar da turnê nos Estados Unidos as apresentações de abertura do rapper americano Macklemore. O rapper havia feito uma manifestação pró-Palestina no palco, exibindo imagens da destruição na Faixa de Gaza e se referindo ao número de mortos como genocídio — acusação rejeitada por Israel.
Segundo o texto publicado pela BBC, a organização StopAntisemitism acusou Macklemore de criar uma "armadilha" para o público, e donos de estádios pressionaram Sheeran e seus promotores a retirá-lo da turnê. Após uma semana de discussões, os promotores tomaram a decisão. Na terça-feira (15/9), Sheeran divulgou uma declaração afirmando que a decisão foi dos promotores, não dele, que tentou construir pontes entre as partes sem sucesso e que "não foi conivente".
Na nota, o cantor disse estar "indignado com o conflito entre Israel e a Palestina" e classificou o sofrimento dos dois lados como "uma tragédia humana". Ele justificou sua recusa em usar a plataforma profissional para política afirmando que seu público inclui jovens e muitas crianças, de todas as origens. A declaração gerou fortes reações: críticos questionaram por que ele não mencionou as milhares de crianças mortas em Gaza, e outros lembraram que sua abstenção política não foi absoluta — em 2018, ele vestiu uma camiseta com os dizeres "Justiça para Grenfell" em Wembley, e participou do Festival pela Ucrânia em 2022.
A turnê entrou em crise horas depois da declaração. Outros três artistas que participariam dos shows — Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham — anunciaram sua saída em apoio a Macklemore, assim como a banda irlandesa Beoga. Finneas estava escalado para abrir as apresentações de Sheeran em São Paulo, no início de dezembro. Vários deles afirmaram que a exclusão de Macklemore, decidida por um grupo de bilionários donos de locais de shows, representava supressão da liberdade de expressão.
O jornalista especializado em música Jeffrey Ingold afirmou à BBC Rádio 5 Live que a aceitação da decisão pareceu "covardia" e que Sheeran "lavou as mãos". Já o editor-executivo de música da revista Variety, Jem Aswad, disse que o episódio mostra que "não se pode ser neutro nesta questão", mas duvidou que a controvérsia cause grandes danos à carreira do cantor. O texto da BBC observa que Sheeran ficou preso em um beco sem saída: qualquer que fosse sua decisão, seria condenado, e sua imagem de "bom moço" sofreu um enorme abalo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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