Os argumentos do governo Trump para acusar Brasil de 'falhar' no combate ao Comando Vermelho e PCC
A Casa Branca acusou o governo brasileiro de "falhar" no combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. A declaração consta de um texto assinado pelo presidente Donald Trump e enviado ao Congresso americano, revelado nesta terça-feira (16/9) pelo Departamento de Estado.
Segundo o documento, "enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil tem falhado em enfrentar as designadas organizações terroristas estrangeiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o país em um ponto central para o fluxo global de cocaína". O texto afirma ainda que as facções brasileiras representam uma "ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo" e que o governo brasileiro "precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam".
O PCC e o Comando Vermelho foram classificados como organizações terroristas pelos EUA em junho. A medida representou uma derrota para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que era contrário à designação por considerá-la um risco à soberania nacional, ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo. O principal oponente de Lula na disputa pela presidência, Flávio Bolsonaro (PL), defendia publicamente a medida havia mais de um ano, argumentando que a cooperação internacional favorece o combate às facções e à violência.
A manifestação faz parte de um documento que a Casa Branca envia anualmente ao Congresso, identificando os "principais países de rotas de drogas ou principais países produtores de drogas ilícitas". Neste ano, os países listados foram Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá e Peru. O Brasil não foi incluído na lista, mas apareceu nos comentários sobre políticas de segurança de outros países.
No texto, Trump afirma que a presença de um país na lista "não reflete necessariamente os atuais esforços de seu governo no combate às drogas ou a sua coordenação com os Estados Unidos". O documento elogia aliados que constam na relação, como Argentina, Equador e El Salvador, e também o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela, que assumiu o poder após os EUA capturarem Nicolás Maduro. Segundo Trump, "graças à prisão e a retirada" de Maduro, "já estamos observando os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país no combate aos cartéis". A Venezuela foi retirada da lista de países que "comprovadamente falharam" em cumprir compromissos de controle de drogas, que neste ano incluiu Afeganistão, Bolívia, Colômbia e Mianmar.
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