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Banana-prata a R$ 90 nos EUA: a oportunidade e o desafio logístico brasileiro

Por Ivan Marra
Atualizado em 18/09/2026 às 17:05 schedule 3 min de leitura visibility 37 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A banana-prata produzida em Minas Gerais pode sair da lavoura por cerca de R$ 6,00 o quilo e chegar ao consumidor nos Estados Unidos por aproximadamente R$ 90,00. A fruta é isenta de taxação, o que afasta a hipótese de que a diferença de preço decorra de tarifas comerciais. O valor elevado na ponta final reflete, sobretudo, o custo logístico da travessia.

O mercado americano demonstra disposição a pagar pela variedade, de sabor mais suave e menos doce, ainda pouco conhecida por lá. O obstáculo é garantir que a fruta chegue com qualidade e regularidade, a um custo que permita transformar embarques pequenos em negócio de maior escala. Hoje, a produção de Elisa Barreto Leal, CEO da FBL, sai de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, e percorre cerca de 1,1 mil quilômetros de caminhão até o Aeroporto Internacional de Guarulhos, de onde segue por avião. Só o frete aéreo custa aproximadamente R$ 36,00 por quilo.

Para reduzir esse custo, produtores testam a viabilidade do transporte marítimo, que exigiria da fruta resistir a 25 ou 30 dias de viagem. A estimativa é de redução de até 30% no frete caso o modal se confirme. Os testes incluem aplicação de antifúngico, produto que inibe a ação do etileno, embalagens a vácuo e tecnologias de climatização, com expectativa de conclusão entre 30 e 60 dias. O trabalho é conduzido com apoio da Abanorte, que reúne cerca de 2,5 mil produtores, e de pesquisas em parceria com a Unimontes.

O esforço ocorre em um contexto de paradoxo. O Brasil está entre os três maiores produtores mundiais de frutas, mas menos de 3% da produção nacional é exportada, segundo a Abrafrutas. Na bananicultura, o País é o quarto maior produtor mundial, com 6,6 milhões de toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 13,8 bilhões e gerando 500 mil empregos diretos, conforme a Embrapa Mandioca e Fruticultura. Metade da produção vem da agricultura familiar e a maior parte é absorvida pelo mercado interno.

O comércio internacional de banana está concentrado na variedade Cavendish, em torno da qual grandes exportadores construíram escala e canais de comercialização ao longo de décadas. A avaliação de pesquisadores e produtores é de que a prata não deve substituir a Cavendish, mas abrir espaço para novas variedades. A regularidade do fornecimento é apontada como condição para consolidar o mercado, uma vez que o consumidor precisa encontrar o produto novamente.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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