Polícia Federal identifica elo financeiro entre ex-cunhado de Gilmar Mendes e banqueiro
A Polícia Federal identificou um elo financeiro entre o ex-senador Chiquinho Feitosa, irmão da ex-esposa do ministro Gilmar Mendes, e empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo as investigações, Feitosa mantinha um contrato mensal de R$ 500 mil com a Super Empreendimentos, empresa que pertence à rede de Vorcaro e é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro.
Planilhas de pagamentos pendentes apreendidas pela PF mostram que os repasses chegaram a somar até R$ 1 milhão em determinados períodos. Feitosa admitiu a existência do negócio ao jornal Estado de S. Paulo, mas afirmou que a prestação de serviços durou pouco tempo e que, na época, não havia suspeita pública de irregularidade contra a empresa contratante.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro indicam que Feitosa incentivava Vorcaro a estabelecer uma "relação direta" com o ministro Gilmar Mendes, a quem se referia como um "grande amigo" e um "sujeito de grande caráter". Os diálogos ocorreram em abril de 2024, oito dias após o banqueiro ter se reunido formalmente com o decano do Supremo Tribunal Federal em seu gabinete. O objetivo central da aproximação seria tratar de processos bilionários envolvendo precatórios — dívidas do governo reconhecidas pela Justiça — do setor sucroalcooleiro.
Em nota oficial, Gilmar Mendes confirmou que recebeu Vorcaro em audiência institucional no dia 11 de abril de 2024, em seu gabinete no STF e na presença de advogados. O ministro ressaltou que receber advogados é um dever previsto em lei e afirmou não ter conhecimento de tratativas privadas entre seu ex-cunhado e o banqueiro. Para demonstrar isenção, listou processos do setor de açúcar e álcool nos quais votou contra os interesses do Banco Master, defendendo a posição da União para evitar pagamentos bilionários.
A investigação também envolve o senador Ciro Nogueira, apontado por supostamente atuar em favor do Banco Master no Congresso em troca de vantagens como dinheiro e viagens de luxo. A PF identificou que projetos de lei sobre o mercado de carbono, de autoria de Chiquinho Feitosa, circularam entre a casa de Nogueira e o banqueiro. Em um dos episódios, documentos legislativos foram entregues a assessores de Ciro em envelopes que originalmente eram do Banco Master, mas que Vorcaro ordenou trocar por envelopes brancos e discretos para esconder a origem do material antes da entrega oficial.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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