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A Bíblia como caminho: aos 96 anos, catequista dedica a vida à missão de levar a Palavra

Atualizado em 16/09/2026 às 14:05 schedule 3 min de leitura visibility 6 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A catequista Ayda Candida Mascarenhas Horta, de 96 anos, mantém há décadas o trabalho de formação bíblica que começou ainda na juventude. Nascida em Itajaí (SC), em 13 de fevereiro de 1930, filha de engenheiro agrônomo e professora, casou-se aos 17 anos e passou a vida acompanhando o marido topógrafo por diferentes cidades do país. A cada mudança, procurava a paróquia mais próxima. "Minha formação é de professora, mas, por causa das viagens, não lecionei muito. Sempre me dediquei aos trabalhos da Igreja", conta.

Foi no Rio de Janeiro, na década de 1960, que sua trajetória ganhou novo sentido. O Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, transformou sua compreensão da fé. "Nessa época aconteceu o Vaticano II e, para mim, foi uma luz. Acendeu uma luz. Eu passei a começar a entender uma porção de coisas que a gente acreditava sem compreender", recorda. Moradora da Gávea, atuava na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e fez cursos no Palácio São Joaquim. Ainda naquela década, já em São Paulo, sentiu os efeitos da ditadura militar. Entre 1968 e 1969, manteve o trabalho com catequese de adultos e formação bíblica, morando ao lado do convento dos dominicanos. "Éramos muito perseguidas, muito vigiadas. Foi uma época de muito temor, de muita dificuldade. A gente tinha medo até de andar nas ruas, mas continuava o nosso trabalho", lembra.

Mais tarde, por causa do trabalho do marido, mudou-se para Rancharia, no interior paulista. Foi ali, na década de 1980, que conheceu o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). Durante quatro anos, participou de uma formação com teólogos de São Paulo que viajavam até a região para realizar os encontros. A experiência a aproximou da metodologia da leitura popular da Bíblia e fez com que passasse a colaborar na formação de grupos em diferentes municípios. Há 26 anos, Ayda vive em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, onde retomou o trabalho de formação bíblica. "A Bíblia não é apenas uma coleção de livros, uma biblioteca. A Bíblia é um caminho. Um caminho a ser seguido. E que a gente precisa entender. Não se pode fazer uma leitura ao pé da letra. Tem que penetrar fundo, tem que ir na raiz", enfatiza.

Fundado em 20 de julho de 1979, o CEBI é uma associação sem fins lucrativos, de caráter ecumênico, presente em diferentes regiões do Brasil. Segundo o diretor nacional, Erivaldo José da Silva, a organização reúne pessoas de diferentes idades e denominações cristãs em torno de uma proposta comum de leitura da Bíblia. "É formado por mulheres, homens, jovens, idosos, crianças de diversas denominações cristãs, reunidos pelo propósito de fortalecer esse jeito de ler a Bíblia a partir dos pequeninos", explica. O coordenador regional no Vale do Paraíba, Rodrigo dos Santos, detalha a metodologia: primeiro se olha a realidade, depois a Palavra em seu contexto, e por fim se decide uma ação prática. "Em roda, católicos, luteranos, presbiterianos, metodistas, batistas sentam lado a lado. Ninguém pergunta a placa de igreja. O que une é a partilha da mesma Palavra e a busca por justiça", afirma.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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