O empresário aliado-chave de Maduro que se declarou culpado de lavagem de dinheiro e entregará R$ 1 bi aos EUA
O empresário colombiano Alex Saab, apontado como aliado-chave e suposto testa de ferro de Nicolás Maduro, declarou-se culpado nesta terça-feira (15/09) em um tribunal federal de Miami, nos Estados Unidos, pelos crimes de conspiração para lavagem de dinheiro e transações financeiras ilícitas.
Saab, que chegou a ocupar o cargo de ministro da Indústria no governo venezuelano, mudou sua declaração anterior de "inocente" para "culpado" após firmar um acordo com a promotoria. Pelo acerto, ele se comprometeu a colaborar com as autoridades, fornecendo informações relevantes, e a entregar US$ 195 milhões — cerca de R$ 1,03 bilhão — obtidos, segundo a acusação, por meio de operações ilícitas ligadas a um esquema de corrupção.
Os detalhes do acordo não foram divulgados oficialmente. A agência EFE informou que Saab teria se comprometido a prestar informações sobre "altos funcionários venezuelanos". Quando foi inicialmente acusado, a promotoria indicou que ele poderia enfrentar pena máxima de 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Segundo a agência AP, os promotores concordaram em recomendar uma pena menor caso sua cooperação contra os demais acusados se mostre valiosa.
Saab, de 54 anos, foi deportado para os Estados Unidos em maio passado, quatro meses depois de Maduro ter sido detido em Caracas em uma operação militar incomum dos EUA. Dois dias após a deportação, em 18 de maio, ele compareceu a um tribunal federal de Miami, onde foi informado das acusações de suposta conspiração para lavar dinheiro e ocultar a origem e o controle de fundos ligados à Venezuela. O caso também inclui referências a suposta fraude eletrônica, subornos e desvio de recursos públicos.
O processo contra Saab menciona outras pessoas que ocupam ou ocuparam altos cargos na Venezuela, segundo documento de exposição de fatos assinado por ele. O texto cita José Gregorio Vielma Mora, deputado do governista PSUV, que foi superintendente do Serviço Tributário, governador do Estado de Táchira e ministro do Comércio Exterior. Não há menção expressa a Maduro ou a Cilia Flores. Entre os investigados há outros quatro acusados não identificados, e a acusação fala em vários altos funcionários, mas até agora o único identificado é Vielma Mora.
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