O mundo está certo em temer IA, mas precisa confiar nas empresas, diz chefe da OpenAI
O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou que as pessoas deveriam confiar mais em sua empresa e em outras companhias do setor para conduzir de forma responsável o desenvolvimento da inteligência artificial. A declaração foi feita na terça-feira (15/9), durante uma conferência anual organizada pela empresa de software Salesforce, em San Francisco, nos Estados Unidos.
"O mundo deveria confiar que faremos a coisa certa porque é o certo a fazer e porque temos consciência da dimensão disso", disse Altman. Ele reconheceu, no entanto, que há motivos para temer a tecnologia, diante da rapidez com que as ferramentas de IA têm avançado. "Não precisamos de tanta imaginação como antes para imaginarmos como isto poderia correr mal. Acho que o mundo tem razão em ter medo disso."
Foi a primeira manifestação pública de Altman desde que dois textos de pesquisadores da Anthropic, empresa responsável pela ferramenta Claude, ganharam repercussão. Um deles, de Evan Hubinger, cientista da Anthropic, afirmou que, sem controle, a IA poderia matar todos os seres humanos até o fim da década. Alguns executivos e especialistas disseram concordar com a avaliação, mas não explicaram como chegaram a essa conclusão nem de que maneira a tecnologia poderia provocar esse resultado.
O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia seja reduzido e pediu que governos regulamentem o setor. A publicação recebeu o apoio de Altman, de Demis Hassabis, cofundador da DeepMind, do Google, e de Elon Musk, dono da rede social X e do assistente de IA Grok. Até terça-feira, outros dirigentes do setor também passaram a defender que as próprias empresas estabeleçam controles sobre o desenvolvimento da tecnologia, em vez de deixar essa tarefa a cargo dos governos.
Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, escreveu na rede social X que todos os laboratórios de IA têm condições e incentivos para tomar suas próprias medidas de segurança. "Qualquer laboratório que não priorizar o alinhamento ficará para trás", afirmou. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, disse na mesma conferência que deve caber às empresas de IA decidir se novas versões da tecnologia serão lançadas, sem interferências externas. "Não precisamos de novas leis ou regulamentações", declarou.
A possibilidade de o próprio setor estabelecer seus controles, porém, enfrenta ressalvas. Em Washington D.C., o senador independente Bernie Sanders afirmou que as decisões sobre o desenvolvimento da IA têm sido tomadas por "um punhado das pessoas mais ricas do mundo", citando Musk, Zuckerberg e Jeff Bezos, fundador da Amazon. Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump, também questionou a capacidade de autorregulação do setor. Jack Clark, cofundador da Anthropic, disse à BBC que deixar a IA como uma "indústria totalmente sem regulamentação" seria "apostar diante de riscos imensos".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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