Transferência de elefante de 54 anos mobiliza cidade brasileira e gera disputa judicial
O elefante Sandro, de 54 anos, deixou o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), onde viveu por mais de quatro décadas, e segue em viagem de 1.615 quilômetros até o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT). O transporte começou na quarta-feira (16) e tem previsão de durar cerca de dois dias e meio, com chegada ao destino prevista para esta sexta-feira (18), na hora do almoço.
A transferência foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em junho deste ano, após uma série de decisões, recursos e perícias sobre as condições de vida do animal e os riscos de uma mudança em idade avançada. O caso envolveu a Prefeitura de Sorocaba, o Ministério Público e entidades de defesa animal. Em 2022, a Justiça havia negado um pedido de transferência imediata, quando o MP informou que o elefante não apresentava sinais de maus-tratos e tinha boa saúde física e mental, e um parecer técnico apontava riscos no transporte de longa distância. Em 2025, uma nova perícia indicou que as condições do zoológico eram insuficientes para garantir sua qualidade de vida. A Justiça determinou a mudança em abril daquele ano, mas a prefeitura recorreu, e a autorização final veio em junho de 2026.
Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro chegou ao zoológico em janeiro de 1982, vindo de um circo, quando ainda era chamado de "Trombadinha". Tornou-se um dos animais mais conhecidos do parque e era descrito pelos tratadores como carinhoso, brincalhão e comilão. Uma das relações mais marcantes de sua vida foi com a elefanta Haisa, que passou cerca de 20 anos ao seu lado e morreu em 2020 — fato que se tornou ponto central na discussão sobre seu futuro.
A preparação da viagem levou dias. A caixa de transporte chegou ao zoológico em 10 de setembro e permaneceu aberta para que Sandro pudesse entrar e sair livremente. Em 12 de setembro, ele entrou voluntariamente na estrutura pela primeira vez. O equipamento conta com sistemas de ventilação, monitoramento de temperatura e câmeras que permitem acompanhamento em tempo real. O percurso inclui paradas para alimentação, hidratação, limpeza e observação do comportamento.
Segundo o médico-veterinário Mateus Bianchini, a dieta principal não foi modificada de forma significativa. "Ele vem comendo aquele mesmo misturado que eles faziam de capim com os vegetais", explicou. A equipe oferece frutas inteiras, como maçã, melão e mamão, para observar o apetite durante o trajeto. A despedida foi marcada por emoção e tensão: funcionários fizeram uma última homenagem na véspera, um tratador chorou ao tentar se despedir do animal e houve protestos contrários à transferência na saída da carreta. No santuário, Sandro passará por um período de adaptação antes de ampliar gradualmente a circulação pelo espaço e o contato com as outras elefantas que vivem no local.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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