Suécia pode refazer parte da eleição vencida pela esquerda após suspeita de fraude
Promotores da Suécia abriram uma investigação sobre uma possível fraude na eleição parlamentar realizada neste mês, vencida por estreita margem pelo bloco de centro-esquerda liderado pelos Social-Democratas. O caso envolve votos atribuídos a um candidato do Partido de Esquerda, uma das legendas que compõem o bloco vencedor, na região de Dalarna, e pode levar à repetição da votação naquela parte do país caso sejam constatadas irregularidades capazes de afetar o resultado.
A apuração está concentrada na cidade de Borlänge e envolve a eleição de Mohamed Abdukardir Ali, do Partido de Esquerda. Ele ocupava apenas a nona posição na lista da legenda para o Parlamento, mas recebeu votos preferenciais suficientes para ultrapassar candidatos colocados à sua frente e conquistar uma cadeira. Segundo a rádio pública Sveriges Radio, Ali recebeu mais de 600 votos preferenciais. O sistema eleitoral sueco permite que o eleitor marque nominalmente um candidato na cédula; ao atingir o número necessário desses votos pessoais, o candidato pode avançar na lista e conquistar um mandato mesmo que apareça atrás de outros nomes.
A investigação começou após uma denúncia segundo a qual eleitores teriam sido transportados até locais de votação antecipada e recebido cédulas do Partido de Esquerda já previamente marcadas com o nome de um candidato. Conforme a televisão pública SVT, esse candidato seria Mohamed Ali, e as autoridades apuram se a distribuição dessas cédulas aumentou de forma irregular o número de votos preferenciais recebidos por ele e contribuiu para sua eleição. O caso está sendo conduzido por autoridades especializadas em crimes eleitorais. Ali disse à SVT que não teve envolvimento com as supostas irregularidades. Diante da investigação, o Partido de Esquerda informou que ele ficará temporariamente afastado e não assumirá suas funções parlamentares enquanto a apuração estiver em andamento.
Se a Junta de Revisão Eleitoral da Suécia concluir que as irregularidades tiveram potencial para afetar o resultado em Dalarna, poderá determinar uma recontagem dos votos ou até uma nova votação em todo o distrito eleitoral. Nesse caso, não seria refeita apenas a disputa pela cadeira conquistada por Ali: Dalarna elege 11 dos 349 integrantes do Parlamento sueco e, em uma nova votação, todos os partidos voltariam a disputar esses mandatos. Atualmente, seis das 11 cadeiras de Dalarna ficaram com partidos do bloco de centro-esquerda e cinco com partidos do bloco de direita, de modo que uma repetição poderia alterar tanto os candidatos eleitos quanto a distribuição de cadeiras entre as legendas.
O caso pode mexer com o cenário nacional porque a eleição terminou com diferença de apenas três cadeiras: o bloco liderado pelos Social-Democratas obteve 176 assentos, contra 173 do bloco de direita. Segundo a agência Reuters, porém, especialistas consideram improvável que uma nova votação em Dalarna, por si só, mude o controle nacional do Parlamento, já que os eleitores tendem a migrar mais entre partidos do mesmo bloco do que de um bloco para outro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar