Senadores que já defenderam Moraes evitam se posicionar após crise no STF
Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), senadores da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm mudado de posicionamento em relação à abertura do processo de impeachment de Alexandre de Moraes. Ao menos cinco senadores que já defenderam o ministro abertamente em 2024 afirmaram à Gazeta do Povo que agora preferem não se posicionar sobre o caso. Outros dois senadores que apresentavam o mesmo posicionamento em 2024 não atenderam a reportagem atualmente para confirmar se ainda são contrários à abertura do processo.
Os dados são de dois levantamentos realizados pela Gazeta do Povo com os 81 senadores, em 2024 e 2026. Na primeira pesquisa, as respostas foram coletadas após a divulgação de mensagens que revelavam ações “fora do rito” orquestradas pelo ministro, além da decisão assinada por ele de suspender a rede social X no Brasil. O levantamento atual iniciou no último dia 2 de setembro, após o levantamento do sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Nas mensagens há informações a respeito de um contrato de R$ 131 milhões com o escritório da esposa do ministro, concessão de benefícios de luxo e pedidos feitos pelo ex-banqueiro a Moraes nos dias que antecederam a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Além dos que recuaram, três senadores da base governista, que antes não tratavam sobre o tema, passaram a assinar pedidos de impeachment contra o ministro nas últimas semanas. O movimento tira os pedidos da ala da oposição, que tradicionalmente concentra as iniciativas contra Moraes no Senado. Entre os que passaram a apoiar abertamente o processo estão Chico Rodrigues (PSB-RR), Leila Barros (PDT-DF) e Flávio Arns (PSB-PR). “Ao ler todas essas denúncias que estão às claras na imprensa, tive a coragem cívica de assinar o impeachment do ministro”, afirmou Chico Rodrigues, que assinou o pedido protocolado pela senadora Damares Alves (REP-DF). Arns declarou que “ninguém deve estar acima da lei e que as investigações devem ocorrer de forma transparente e sem interferências, em respeito absoluto à nossa Constituição”.
Para o cientista político Fernando Schüler, professor do Insper, a mudança de comportamento revela que a crise deixou de envolver apenas controvérsias sobre liberdade de expressão, garantias individuais e limites de atuação do Supremo. “Quando entrou em jogo a relação do ministro com Vorcaro, houve uma mudança de patamar. O problema migrou da questão democrática para a questão ética, porque o tema da corrupção entrou em jogo”, afirmou. Segundo ele, as mensagens alteraram o custo político de uma defesa explícita do ministro. “Muita gente tolera a censura, o que está errado, obviamente, mas tende a ter uma visão mais crítica em relação à corrupção ou à suspeita de corrupção.”
Schüler aponta ainda um segundo fator para o recuo: a proximidade das eleições. “O Congresso é muito sensível à opinião pública, e como estamos nos aproximando das eleições, os senadores tendem a migrar de posição ou simplesmente a não se manifestar”, disse. De acordo com o especialista, em vez de uma mudança definitiva de convicção, a estratégia pode ser simplesmente tirar o assunto do discurso eleitoral. “Uma posição estratégica”, finalizou.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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