Por que a Flórida é o Estado que mais executa condenados à morte nos EUA
A Flórida se consolidou em 2026 como o Estado americano que mais executa condenados à morte, em um movimento que reverte anos de redução na aplicação da pena capital. De janeiro até agora, o Estado executou 15 pessoas, número superior ao de todo o restante do país somado. A esses casos se somam as 19 execuções de 2025, o maior total no Estado desde o restabelecimento da pena de morte em 1976, segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte.
O caso mais recente foi o de Harold Gene Lucas, de 74 anos, executado em 1º de setembro na Prisão Estadual da Flórida, em Raiford, por um crime cometido 50 anos antes. Nenhum outro preso nos Estados Unidos passou tanto tempo no corredor da morte. Lucas decidiu não recorrer novamente para evitar ou postergar a execução. Cerca de 40 pessoas assistiram ao procedimento, entre elas familiares de Jill Piper, a jovem de 16 anos assassinada em 1976, incluindo sua mãe, Eleanor Piper, que compareceu em cadeira de rodas.
O segundo Estado que mais executou neste ano foi o Texas, com quatro condenados, muito abaixo dos 15 da Flórida. Dos 50 Estados americanos, 27 mantêm a pena de morte na legislação, mas apenas 10 realizaram execuções nos últimos dez anos — número que caiu para seis em 2026. A advogada Maria DeLiberato, especialista em defender condenados à morte na Flórida e responsável pelo programa sobre pena capital da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), afirma que o governador detém total poder para decidir se e quando haverá execuções. Dos cerca de 250 presos no corredor da morte do Estado, a vida dos que esgotaram seus recursos depende de o governador assinar a ordem de execução.
O governador republicano Ron DeSantis, aliado de Donald Trump, é partidário da pena capital há anos e a considera "uma punição adequada para os piores infratores". Ele ordenou apenas nove execuções nos primeiros cinco anos de mandato e não mandou executar ninguém entre 2020 e 2022, período em que justificou a suspensão mencionando os impactos da pandemia de covid-19. Críticos suspeitam que a retomada ocorreu por conveniência política. O mandato de DeSantis se encerra em poucos meses, e ele não descarta uma nova tentativa de se candidatar à presidência.
DeSantis também promoveu mudanças legais para ampliar a aplicação da pena capital. Após o júri não atingir a unanimidade exigida e condenar Nikolas Cruz à prisão perpétua pelo assassinato de 17 pessoas em uma escola de Parkland em 2018, o governador impulsionou uma alteração que passou a exigir oito votos entre os 12 jurados para a condenação à morte — o menor patamar do país. Outra medida polêmica estabelece que estrangeiros em situação irregular sejam automaticamente condenados à morte caso considerados culpados de crimes capitais. Especialistas apontam que a ampliação das vias legais para a pena de morte na Flórida é inconstitucional e contraria décadas de jurisprudência da Suprema Corte americana.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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