O que pode ter causado colisão entre trens na Espanha
O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que uma falha no sistema automatizado de gestão do tráfego ferroviário antecedeu a colisão entre dois trens de alta velocidade na rota Madri-Sevilha, nas proximidades de Urda, a cerca de 120 km da capital. Segundo ele, o sistema LZB parou de funcionar por volta das 8h30, no horário local, devido a uma falha de comunicação entre os computadores da rede, o que provocou a parada automática dos trens que circulavam no trecho, incluindo as duas composições envolvidas no acidente.
Com o sistema fora de operação, o Centro de Controle de Atocha, em Madri, assumiu o comando de um trecho de cerca de 69 km. Por volta das 8h36, autorizou um trem da Renfe a retomar a circulação normalmente — decisão que Puente classificou como "inexplicável". De acordo com o ministro, tanto a regulamentação quanto os protocolos do Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF) impediam a retomada, porque o circuito estava ocupado pelo trem da Iryo, parado na entrada da estação, e havia um sinal vermelho no local.
Puente explicou que, caso a circulação fosse retomada, o trem deveria seguir pelo procedimento conhecido como "marcha à vista", a uma velocidade inferior a 40 km/h, que permitisse ao maquinista parar a tempo diante de qualquer circunstância nos trilhos. Ele relatou ainda que outro trem foi autorizado de maneira equivocada a retomar a circulação sem restrições, mas o próprio maquinista corrigiu o controlador. O ministro disse que a falha informática "pode acontecer" e que o LZB, em operação desde 1992, é "amplamente testado e comprovado", passando por substituição por um sistema mais moderno, o ERTMS.
O acidente ocorreu por volta das 8h54, quando o trem da estatal Renfe, que havia partido de Madri com destino a Sevilha, bateu na traseira da composição da Iryo, que fazia a mesma rota e estava parada. A velocidade do trem da Renfe no momento da colisão não foi informada, mas, segundo Puente, os trens podem atingir 200 km/h nesse trecho em condições normais. O trem da Renfe transportava 393 passageiros, e o da Iryo levava 147 pessoas, entre elas um bebê.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeu no local da colisão "esclarecer o que aconteceu" e determinar se houve "negligência e falhas". Ele afirmou que "não é aceitável" que o país sofra dois acidentes graves com trens de alta velocidade em menos de um ano — em 18 de janeiro deste ano, outro acidente na mesma linha deixou 46 mortos e cerca de 300 feridos. O Sindicato Ferroviário classificou como "prematuro" e "irresponsável" atribuir a colisão a um "erro humano" antes da conclusão das investigações.
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