Lulinha, Luchsinger e Lava Jato: o que realmente pesa contra Lula?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não responde atualmente a acusações na Justiça. As principais condenações que ele enfrentou — entre elas as dos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, originadas na Operação Lava Jato — foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda assim, as investigações que atingiram o petista e seu entorno seguem pesando sobre sua imagem junto ao eleitorado, tema que voltou ao centro do debate eleitoral.
Na Lava Jato, Lula enfrentou uma série de acusações. Hoje todos os procedimentos estão encerrados ou suspensos, por três caminhos: absolvição, anulação por violação de direitos do acusado e arquivamento. Houve absolvição sumária, por exemplo, na denúncia em que ele, Dilma Rousseff e outros integrantes do PT eram acusados de organização criminosa, em dezembro de 2019, após pedido do próprio Ministério Público Federal.
Nos casos mais conhecidos, o do tríplex e o do sítio, Lula chegou a ser condenado, mas os processos foram anulados ou interrompidos porque a Justiça entendeu que houve ilegalidades contra ele. O caso do tríplex foi julgado por Sergio Moro, então juiz; o do sítio, pela juíza Gabriela Hardt. As duas condenações foram confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 2021, o STF anulou as condenações: o ministro Edson Fachin reconheceu que a vara de Curitiba não era a jurisdição correta, e a Segunda Turma, depois o plenário, consideraram que Moro agiu com parcialidade no caso do tríplex, entendimento estendido ao do sítio. O petista ficou preso 580 dias. Com o retorno à estaca zero, o prazo para possível punição terminou, e as acusações foram arquivadas definitivamente.
Na Operação Zelotes, Lula virou réu em 2017 por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa, acusado de favorecer montadoras por meio de medida provisória em troca de doações ao PT. A Justiça Federal o absolveu em 2021, concluindo que não havia evidências mínimas de participação no esquema.
Ainda que Lula não figure como investigado, suspeitas envolvendo seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pressionam a campanha. Ele é alvo de três inquéritos no STF, abertos a pedido da Polícia Federal e autorizados em julho e agosto, que apuram suspeitas de tráfico de influência: possível favorecimento de uma empresa na venda de derivados de cannabis ao Ministério da Saúde, suspeita de beneficiar empresários em contratos da Dataprev e suposta atuação de um grupo para favorecer empresas no governo federal. O nome dele surgiu no âmbito da Operação Sem Desconto. Lula afirmou acreditar na inocência do filho e que o caso precisa ser apurado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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