Netanyahu lidera eleição de Israel, mas não obtém maioria: como próximo governo será formado?
Com a maior parte dos votos apurados nas eleições legislativas de Israel, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece ligeiramente à frente do bloco de oposição liderado pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot. Nenhum dos dois, porém, caminha para as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Knesset, o Parlamento israelense, que tem 120 assentos. Sem maioria, os blocos terão de negociar com outras legendas para tentar formar um governo.
Na última parcial divulgada, com 85,6% dos votos contados, o bloco de Netanyahu somava 53 cadeiras, o de Eisenkot, 44, e os partidos árabes, 19. O Likud, partido de Netanyahu, deve ser o maior partido individual do novo Parlamento. Ainda faltam contar entre 430 mil e 480 mil votos por correspondência, segundo a Comissão Eleitoral Central. A contagem deve terminar na quinta-feira, e os resultados oficiais estão previstos para 4 de novembro.
Israel adota um sistema parlamentarista: os eleitores não escolhem diretamente o chefe de governo, mas votam em um partido, que recebe cadeiras proporcionais aos votos obtidos no país. Só entram no Parlamento as legendas que alcançam ao menos 3,25% dos votos. O primeiro-ministro é quem reúne o apoio da maioria do Knesset, e como nenhum partido jamais conquistou essa maioria sozinho, todos os governos israelenses foram formados por coalizões — o que dá aos partidos menores grande poder de negociação.
Partidos liderados pela minoria árabe conquistaram um número recorde de cadeiras e podem ter peso decisivo na formação do próximo governo. A maioria dos partidos judeus, incluindo o de Eisenkot, descartou durante a campanha governar com eles. Após a divulgação dos resultados oficiais, o presidente Isaac Herzog ouvirá todos os partidos eleitos e convidará o líder com mais chances a tentar formar uma coalizão. O escolhido tem 28 dias, prorrogáveis por até 14. Se fracassar, o presidente pode indicar outro parlamentar, com 28 dias e sem prorrogação. Uma terceira tentativa, se solicitada por 61 parlamentares, teria 14 dias. Se todas falharem, novas eleições são convocadas.
Herzog afirmou que é preciso fazer tudo o que for possível para evitar mais uma rodada de votação — entre 2019 e 2022, Israel foi às urnas cinco vezes. Analistas apontam caminhos possíveis: Eisenkot poderia formar um governo minoritário sustentado pelos partidos árabes; Netanyahu poderia convencer Eisenkot a montar um governo de união com partidos de centro e de direita; ou um dos lados poderia atrair uma legenda do bloco rival. Enquanto não houver novo governo, Netanyahu segue como primeiro-ministro interino, com a maior parte de seus poderes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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