Na ONU, Lula critica ação dos EUA na região: 'Brasil não cabe no quintal de ninguém'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com críticas à interferência dos Estados Unidos na América Latina. Em seu 11º discurso no encontro, ele afirmou que a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é "inescapável" e que o continente vive um contexto de "recrudescimento de tentações hegemônicas".
"O Brasil não cabe no quintal de ninguém", declarou, sob aplausos. Segundo o presidente, o país precisa de parceiros com agenda positiva e diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre vizinhos. Lula também rebateu as cobranças dos EUA para o combate ao crime organizado e disse que o Brasil não vai "terceirizar a responsabilidade" de defender suas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas", afirmou, defendendo cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado.
O presidente citou ações do governo no enfrentamento às facções, como recordes de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos, e a lei antifacção recém-aprovada, que prevê penas superiores às do terrorismo. Ele mencionou ainda a proposta sobre combate ao crime enviada ao governo norte-americano. Em maio deste ano, o Departamento de Estado dos EUA classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A duas semanas das eleições brasileiras, Lula disse que a votação não servirá apenas para eleger presidente, governadores e representantes do Legislativo, mas para "decidir entre democracia e negacionismo". Ele afirmou que o pleito é transparente e competitivo e que os candidatos têm ampla liberdade de expressão, mas alertou para o que chamou de abuso dessa liberdade por "interesses estrangeiros contrários ao país". O presidente também defendeu a soberania nacional e disse que a democracia brasileira pertence aos brasileiros.
Lula criticou a decisão da Nicarágua de não realizar eleições e defendeu que o povo venezuelano decida seu próprio destino. Ele ainda elogiou resolução adotada pela Assembleia Geral em março de 2026, que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. Segundo o presidente, a ONU vive seu momento mais crítico desde 2003 e o Conselho de Segurança falha em proteger a população das guerras.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar