Trump ameaça usar poder militar dos EUA para garantir 'interesses' na América Latina
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que os EUA usarão seu "poderio militar incomparável" na América Latina para garantir segurança contra cartéis de drogas. Ele foi o segundo líder a discursar no encontro, depois do presidente Lula.
Em sua fala, Trump abordou as ações americanas na Venezuela e o combate a organizações criminosas na América Latina e no Caribe. Ele comparou as gangues latino-americanas ao grupo terrorista Estado Islâmico. "Nossas ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não vão mais permitir que ameaças à América ganhem posição de destaque no hemisfério ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA", declarou.
O presidente americano disse ainda que designou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e que desencadeou uma operação com as Forças Armadas Americanas para eliminá-los. "Os cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental", afirmou.
Ao tratar da relação dos EUA com a América Latina, Trump disse que o regime de Cuba "está sob a maior pressão até hoje". "Estamos pensando também numa mudança radical em Cuba, onde o regime comunista está sob a maior pressão que jamais esteve. É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair", afirmou. Segundo ele, o secretário de Estado, Marco Rubio, conduz negociações com o governo cubano. "Nós não vamos deixar que haja um porto seguro para o terror na nossa porta", disse.
Lula e Trump não se encontraram nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, segundo fontes próximas ao presidente brasileiro informaram à BBC News Brasil. Havia a expectativa de que os dois líderes se cruzassem na saída de Lula do plenário, quando Trump estivesse entrando para seu próprio discurso — momento em que se encontraram rapidamente em 2025. Naquele período, o governo brasileiro tentava uma saída diplomática para o primeiro tarifaço aplicado por Trump ao país, e também se discutia a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. O episódio foi um ponto de virada na relação entre os dois chefes de Estado, que passaram a dialogar e tiveram um encontro presencial, resultando na retirada de tarifas e sanções ao Brasil. A relação voltou a desandar nos últimos meses, em um momento delicado: a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob o risco de uma nova rodada de sanções do governo Trump contra autoridades brasileiras.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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