Como é feito o controle de voo dos helicópteros — e por que alguns 'somem do radar' mesmo sem acidentes
Nem toda aeronave é monitorada por radares e centrais em solo durante todo o tempo. No caso dos helicópteros, essa característica ajuda a explicar por que algumas aeronaves "somem do radar" mesmo sem ter havido acidente. O perfil de operação desses veículos é bastante diferente do da maioria das aeronaves: eles voam com frequência mais próximos ao solo e realizam decolagens e pousos verticais em locais variados, que podem ser aeroportos, áreas dentro de cidades ou até terrenos de terra e gramados.
Para entender o cenário, é preciso dividir os voos em dois grandes grupos: os que operam por instrumentos e os que estão em voo visual. No primeiro caso, órgãos de controle de tráfego aéreo monitoram o movimento o tempo inteiro, e a aeronave precisa seguir estritamente a rota definida no plano de voo — qualquer desvio exige autorização da torre de controle. Já no voo visual, as aeronaves voam em um espaço em que podem seguir sem uma rota específica. Segundo o diretor-técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral, Raul Marinho, helicópteros executivos que transportam passageiros sobre o continente operam sob instrumentos em casos extremamente raros: em 95% dos casos, são voos visuais, que não são monitorados especificamente, a não ser que entrem em espaços controlados ou restritos.
Os sistemas de controle de tráfego aéreo usam tecnologias baseadas em ondas de rádio. Alguns detectam a presença das aeronaves pela reflexão dessas ondas; outros funcionam pela troca de informações com o transponder do avião. Quanto mais baixo um veículo voa, mais difícil é detectá-lo, porque obstáculos próximos ao solo — construções altas e, principalmente, formações geográficas como montanhas — podem prejudicar o sinal do radar. "Helicópteros muitas vezes escapam de radares", exemplifica Marinho, lembrando que essa habilidade de voar em altitudes não captadas pelos aparelhos também os torna úteis para atividades criminosas.
Por isso, "sumir do radar" pode significar apenas que a aeronave deixou de estar no campo de visão desses sistemas, e não necessariamente que houve um incidente. O engenheiro aeronáutico João Paulo Eguea, professor da USP, observa que o termo é impreciso: uma aeronave que pousou em segurança em uma região sem infraestrutura aeroportuária pode deixar de ser detectada e continuar segura. O que costuma gerar maior preocupação é a ausência prolongada de qualquer comunicação da aeronave ou de seus ocupantes.
Em caso de emergência, existe ainda o ELT, transmissor localizador obrigatório que pode ser acionado pelo piloto ou deveria disparar automaticamente em caso de impacto. Dados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos registram 182 acidentes de helicópteros no país desde 2016, com 15 ocorrências neste ano — média de 17 por ano. Quase um em cada três acidentes (29%) resulta em vítimas fatais. Aeronaves de uso privado são as que mais se envolvem em acidentes; no táxi aéreo, a empresa é obrigada a monitorar o voo, obrigação que não existe no voo privado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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