Igreja Católica tem 23 igrejas orientais que você provavelmente desconhece
A Igreja Católica não é formada apenas pela Igreja Latina, à qual pertence a maioria dos católicos do mundo. Na verdade, ela reúne 24 igrejas autônomas, chamadas "sui iuris": a própria Igreja Latina e outras 23 igrejas católicas orientais, herdeiras de tradições cristãs antigas do Oriente Médio, da Europa Oriental, da África e da Índia.
Essas igrejas preservaram línguas litúrgicas, espiritualidades, disciplinas e formas próprias de organização. Algumas celebram a liturgia em árabe, siríaco, ge'ez, copta, armênio ou eslavo eclesiástico. Outras mantêm costumes que remontam às primeiras comunidades fundadas pelos apóstolos. Todas, no entanto, estão em plena comunhão com o papa, sucessor de São Pedro e chefe da Igreja Católica mundial.
As igrejas orientais derivam de cinco grandes tradições litúrgicas: alexandrina, antioquena, armênia, caldeia e bizantina. Cada uma desenvolveu seu próprio patrimônio teológico, espiritual e cultural ao longo de séculos. Entre elas estão a Igreja Maronita do Líbano, a Igreja Greco-Católica Ucraniana, a Igreja Siro-Malabar da Índia e a Igreja Copta Católica do Egito. Muitas existem como minorias em países onde predominam o islamismo ou igrejas ortodoxas, e várias enfrentaram perseguição, guerra ou emigração em massa.
Uma das características mais marcantes dessas igrejas é a organização interna. Muitas operam por meio de um sistema sinodal robusto, estruturado em torno de um sínodo de bispos, que legisla sobre diversos aspectos da vida eclesial, toma decisões pastorais e participa da eleição de novos bispos. Nas igrejas patriarcais e arquiepiscopais maiores, o sínodo chega a eleger o patriarca ou arcebispo maior, eleição que depois deve ser reconhecida ou confirmada conforme as normas estabelecidas por Roma.
Segundo o texto, o papa Leão XIV reformou recentemente o direito canônico que rege as igrejas patriarcais orientais para corrigir uma lacuna legal que dificultava a resolução de conflitos internos. Por meio de um motu proprio, o pontífice concedeu maior autonomia aos bispos, permitindo que convoquem um sínodo independentemente do patriarca e busquem sua remoção com voto de dois terços da maioria — medida que permanece sujeita à aprovação final do papa.
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