Gasto com polícia é 5 mil vezes custo de políticas para egressos
O gasto com polícias nos estados brasileiros corresponde a mais de 5 mil vezes o valor destinado a políticas para pessoas egressas do sistema prisional. Para cada R$ 5.423 gastos com polícias em 2025, R$ 1.169 foram destinados ao sistema prisional e apenas R$ 1 a políticas exclusivas para egressos. Os dados são da nova edição da pesquisa “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, realizada pelo centro de pesquisa Justa, que será apresentada nesta quinta-feira (17) no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O estudo analisou como os governos estaduais de 26 unidades federativas distribuem os recursos destinados às polícias, ao sistema prisional e às políticas voltadas para egressos. O Acre não forneceu dados. Na comparação com a edição anterior, que analisou dados de 2024, a desigualdade dessa distribuição se intensificou: na ocasião, para cada R$ 4.877 destinados às polícias, foram R$ 1.221 para o sistema penitenciário e R$ 1 para políticas exclusivas para egressos. O resultado demonstra, segundo a pesquisa, a concentração dos recursos na porta de entrada do sistema de justiça criminal, em uma distribuição estruturada como um funil de investimentos.
Os gastos com as polícias nos estados analisados passaram de R$ 87,5 bilhões, em 2024, para R$ 103,5 bilhões em 2025. Dentro das corporações, também há desproporcionalidade: as Polícias Militares concentraram R$ 60,7 bilhões (58,6% da verba das polícias); as Polícias Civis, R$ 22,2 bilhões (21,5%); e as Polícias Técnico-Científicas, R$ 2,8 bilhões (2,7%). Os R$ 17,8 bilhões restantes correspondem a despesas compartilhadas. Para a coordenadora de pesquisas do Justa, Taciana Santos, a priorização orçamentária das polícias não necessariamente resulta em mais segurança para a população. Já a diretora-executiva do Justa, Luciana Zaffalon, avalia que os dados apontam para a priorização do policiamento ostensivo em detrimento de ações de investigação e inteligência.
Dos R$ 22,3 bilhões gastos pelos estados com o sistema prisional em 2025, cerca de R$ 13,7 bilhões correspondem ao encarceramento de pessoas negras, o equivalente a R$ 6 de cada R$ 10 investidos na área. Para essa estimativa, o Justa cruzou os gastos estaduais com dados do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen) de dezembro de 2025. Em 2024, o sistema penitenciário teve R$ 21,9 bilhões de gastos. Na porta de saída do sistema, os investimentos permaneceram praticamente estagnados: os estados destinaram R$ 19 milhões para políticas exclusivas para egressos em 2025, contra R$ 18 milhões no ano anterior.
Apenas sete unidades federativas investiram em políticas exclusivas para egressos em 2025, enquanto no ano anterior eram seis. Entre os estados que investiram estão Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que não registraram investimentos no ano passado e passaram a destinar R$ 414 mil e R$ 177 mil, respectivamente. São Paulo teve a maior parcela dos recursos exclusivos para egressos identificados pelo levantamento, com R$ 13,3 milhões, seguido pelo Ceará, com R$ 3,8 milhões. Mato Grosso investiu R$ 781 mil; Bahia, R$ 482 mil; e Sergipe, R$ 19 mil. Tocantins, que era um dos estados com investimento na área em 2024, teve dotação aprovada na Lei Orçamentária Anual, mas não utilizou os recursos.
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