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Foco na História: as grandes civilizações africanas. A origem do cristianismo na África

Por Ivan Marra
Atualizado em 19/09/2026 às 06:20 schedule 3 min de leitura visibility 29 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Muito antes de os colonizadores europeus chegarem ao continente nos séculos XV e XVI, o cristianismo já estava consolidado em várias regiões da África, sobretudo no norte. A Etiópia tornou-se oficialmente cristã no século IV, o que a coloca entre as nações cristãs mais antigas do mundo. O Egito, por sua vez, foi um dos principais centros do cristianismo primitivo, com destaque para o Patriarcado de Alexandria, e o norte da África se transformou em um dos maiores polos de produção teológica da Antiguidade.

Segundo o relato histórico, a força das Igrejas locais fez com que a Igreja Católica tivesse três papas nascidos ou com origens comprovadas no norte da África, todos nos primeiros séculos. São Vitor I governou a Igreja entre 189 e 199 d.C.; nascido em uma província romana na atual Tunísia, foi o primeiro papa de origem africana. Seu pontificado marcou a mudança da língua oficial das missas do grego para o latim e a definição da data de celebração da Páscoa. São Melquíades (311–314 d.C.), também originário do norte da África, teve um papado marcado pelo fim das perseguições aos cristãos pelo Império Romano após o Edito de Milão. Já São Gelásio I (492–496 d.C.) tinha origens na mesma região e ficou conhecido pela definição do cânon oficial dos livros da Bíblia e por firmar a autoridade da Igreja diante do poder político.

Alguns dos mais importantes Pais da Igreja, os chamados Santos Padres, também eram africanos. Tertuliano nasceu em Cartago, na atual Tunísia, e é considerado um dos pais da teologia cristã latina. Cipriano de Cartago, também norte-africano, destacou-se como um dos mais influentes pensadores cristãos do século III e defendeu a unidade da Igreja em tempos de perseguição. Atanásio de Alexandria, originário do Egito, foi um dos maiores defensores da divindade de Cristo. Clemente de Alexandria e Orígenes estavam ligados à escola teológica de Alexandria. Agostinho de Hipona, nascido na região da atual Argélia, é reconhecido como um dos maiores teólogos da história do cristianismo, com obras que influenciaram católicos, ortodoxos e protestantes.

A Igreja norte-africana, porém, sofreu dois duros golpes. O primeiro foi a invasão dos vândalos, iniciada em 429, liderada pelo rei Gessérico, que atravessou o Estreito de Gibraltar e conquistou as províncias romanas. Cerca de 80 mil vândalos e aliados saquearam cidades e terras férteis, cercaram Hipona — Santo Agostinho morreu durante o ataque — e tomaram Cartago. O reino vândalo durou pouco mais de um século, até a reconquista bizantina em 534 d.C. O segundo golpe foi a expansão muçulmana pelo norte da África nos séculos VII e VIII, que impôs a cultura árabe à região onde hoje o cristianismo é minoritário.

Quando os colonizadores europeus começaram a chegar, a fé cristã já existia em África há séculos, e a teologia cristã já era ali produzida. A África ajudou a construir o cristianismo que a Europa mais tarde abraçou, e hoje a Igreja africana, sobretudo a subsaariana, é uma das que mais cresce no mundo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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