Bispos africanos refletem sobre a missão episcopal como caminho para uma Igreja mais missionária
Um curso de formação promovido pelo Dicastério para a Evangelização reúne em Nemi, nos arredores de Roma, 21 bispos de países africanos de língua inglesa. O encontro é organizado pela Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares, com o apoio da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, e ocorre no Centro “ad Gentes”, dos Missionários do Verbo Divino. Participam bispos ordenados entre 1999 e 2022.
A proposta parte da convicção de que o mandato missionário deve orientar as escolhas, iniciativas e reformas de cada bispo no serviço à Igreja particular que lhe foi confiada. Segundo informações da Agência Fides, o curso adota metodologia experimental, com programação flexível remodelada a partir das questões e necessidades apresentadas pelos próprios participantes, transformando o encontro em um “canteiro aberto” de reflexão, partilha e discernimento.
No início dos trabalhos, os participantes escolheram como tema prioritário “a missão e a identidade da Igreja e dos bispos hoje”. A reflexão foi impulsionada pela intervenção do arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, que abordou três questões: exclusão, comunhão e identidade episcopal. O arcebispo nigeriano chamou a atenção para a exclusão daqueles considerados diferentes e relacionou o fenômeno ao sistema de castas em algumas regiões da Ásia e ao exclusivismo étnico em partes da África, que definiu como “a besta chamada tribalismo”.
Para Nwachukwu, o ministério episcopal deve ter a comunhão como marca fundamental, sem eliminar as diferenças. “A harmonia não elimina as diferenças, mas as une para formar a beleza das vozes corais”, afirmou. Ao recordar o episódio de Marcos 1,17, quando Jesus diz a Simão e André “eu vos farei pescadores de homens”, explicou que o núcleo da vocação apostólica é a missão, e não uma função meramente administrativa. Segundo ele, a escolha de candidatos ao episcopado deve considerar a capacidade de promover a comunhão, e não a pertença a determinado grupo étnico.
O arcebispo também recorreu à Carta aos Hebreus e à figura de Melquisedec para recordar que o sacerdócio não pode ser reduzido a identidades étnicas ou familiares, e destacou o cuidado com a saúde física e emocional dos pastores. Na etapa prática, os bispos foram convidados a verificar se o mandato missionário é vivido como critério de referência em seu ministério e se está expresso nos documentos de planejamento e nas prioridades pastorais de suas dioceses. O discernimento envolveu os três munera do ministério episcopal — ensino da fé, santificação e governo pastoral —, com contribuições do professor Peter Beer e dos padres Olivier Soma e Marco Sungsu Kim. Até o encerramento do curso, neste sábado, 19 de setembro, os participantes buscam identificar caminhos para fazer florescer o “potencial missionário” de suas Igrejas particulares.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar