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Fulton Sheen e a missão como responsabilidade de toda a Igreja

Por Ivan Marra
Atualizado em 19/09/2026 às 07:35 schedule 3 min de leitura visibility 39 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Entre os quase 2.500 bispos que participaram das quatro sessões do Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965, o estadunidense Fulton J. Sheen foi membro da Comissão para as Missões e o único representante dos Estados Unidos a permanecer nessa comissão durante todo o Concílio. Sua participação na elaboração do decreto Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, ajudou a ampliar a própria pergunta sobre o que significa fazer missão.

Antes mesmo da abertura do Concílio, Sheen já percebia mudanças em curso na Igreja. Em 1959, durante uma peregrinação a Lourdes, chamou-lhe a atenção a multidão de peregrinos simples e pobres. "Eis a Igreja dos pobres", teria dito a um companheiro, expressão que antecipava uma preocupação que chegaria depois à assembleia conciliar. Como diretor nacional da Pontifícia Obra para a Propagação da Fé, encontrava-se anualmente com João XXIII, que lhe confidenciou, antes do anúncio público, a decisão de convocar o Concílio.

A contribuição mais expressiva veio no debate sobre o esquema que daria origem ao Ad Gentes. Em 9 de novembro de 1964, após numerosas críticas à primeira versão do texto, o bispo propôs uma mudança aparentemente simples, mas teologicamente significativa: em vez de perguntar "O que são as missões?", sugeriu perguntar "Onde estão as missões?". A mudança questionava uma concepção geográfica da missão. Para Sheen, não bastava identificar como missionários os territórios classificados como "não cristãos": havia dioceses extremamente pobres, com escassez dramática de sacerdotes, que precisavam da solidariedade de toda a Igreja, embora não fossem oficialmente consideradas territórios de missão.

Nesse raciocínio aparece uma de suas ideias mais fecundas: a missão não deveria ser compreendida como tarefa de uma parte da Igreja em benefício de outra, mas como responsabilidade comum. Sheen contestava divisões rígidas entre "Igrejas novas" e "Igrejas antigas", defendendo que a Igreja é um único Corpo de Cristo, cujos membros dependem uns dos outros. Quando um dos padres conciliares propôs retirar do texto as referências à pobreza, Sheen defendeu o contrário, recorrendo à imagem do globo terrestre para mostrar a concentração geográfica das desigualdades e apontando para a realidade de África, Ásia e América Latina.

O texto final de Ad Gentes, aprovado por ampla maioria, incorporou elementos convergentes com as preocupações apresentadas por Sheen: a responsabilidade da Igreja para com os pobres, a necessidade de coordenação da atividade missionária e uma compreensão ampla da responsabilidade episcopal. O decreto afirma que o bispo não é consagrado apenas para uma determinada diocese, mas também para a salvação do mundo inteiro. Sheen também atuou na elaboração de Optatam Totius, sobre a formação sacerdotal, defendendo que os seminaristas tivessem contato direto com doentes, pobres, não católicos, católicos afastados da fé, presos e trabalhadores, além de períodos nas missões com falta de pessoal.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Ivan Marra

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