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'Estava prestes a me casar com um violento estuprador em série, mas meus entes queridos salvaram minha vida'

Por Ivan Marra
Atualizado em 14/09/2026 às 19:20 schedule 3 min de leitura visibility 41 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Amy (nome fictício) afirmou à BBC que teria se casado com o homem que a abusou física e psicologicamente por boa parte do relacionamento não fossem as intervenções de sua família e de seus amigos. Ela teme que, se o casamento tivesse ocorrido, teria acabado morta pelo marido. Christopher Malcolm, descrito como estuprador em série, foi preso recentemente por seus crimes e infligiu lesões graves à ex-noiva.

Segundo o relato, Amy muitas vezes permanecia no relacionamento como forma de acalmar a violência e sobreviver. Enquanto Malcolm estava em liberdade, ela diz que não se sentia segura para denunciá-lo à polícia. Seus entes queridos, porém, passaram a se preocupar cada vez mais e levaram repetidas vezes suas preocupações com o bem-estar dela ao sistema de denúncias de violência doméstica da polícia escocesa, encaminhando evidências como mensagens de texto e fotos dos ferimentos. Esses relatos ajudaram os policiais a formar um conjunto forte de provas e a levar Malcolm à custódia em setembro de 2024. Pouco depois, Amy denunciou por completo os estupros, abusos e agressões que havia sofrido. O casamento estava marcado para dali a quatro semanas.

Os dois se conheceram pelo aplicativo Tinder no fim de agosto de 2023. O relacionamento avançou rapidamente: na primeira semana, ela já havia conhecido os pais dele; passaram a morar juntos em questão de meses e ficaram noivos no Natal. Amy conta que Malcolm logo passou a controlar sua vida, insistindo para que apagasse as redes sociais e mantivesse o relacionamento “apenas entre os dois”. Segundo ela, não podia receber ligações da família em casa porque o noivo não gostava do sotaque deles, e ele escondia ou retirava seu celular. Ela relata que ele aparecia no trabalho exigindo que saísse mais cedo e ameaçando fazer uma cena.

A violência também fez parte do relacionamento. Amy descreve um episódio em que Malcolm ficou em “modo de ataque” por três dias, rasgou o sofá com uma faca e ameaçou cometer suicídio. Em outras ocasiões, segundo ela, ele se sentava sobre seu peito e a estrangulava, insultando-a e ameaçando-a com mais violência. Durante um ataque, fraturou seu pulso e a impediu de ir ao hospital; ela diz que hoje não consegue segurar livros com apenas uma das mãos. Amy relata ainda que foi estuprada mais de uma vez e que, em uma ocasião, havia uma criança na residência.

Sem o conhecimento de Amy, quatro pessoas denunciaram separadamente seus temores à polícia. Malcolm foi preso e libertado sob fiança após a primeira denúncia, mas as evidências continuaram a se acumular e os policiais pediram que ela prestasse depoimento. Hoje com 30 anos, Amy procurou a BBC para contar sua história e diz acreditar que sua família, seus amigos e os policiais envolvidos no caso acabaram salvando sua vida. A polícia escocesa afirma que, em casos em que um sobrevivente reluta em denunciar, procura reunir evidências que não dependam dele, como câmeras corporais, análises de telefones, fotografias de lesões, evidências médicas e históricos de incidentes anteriores.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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