Xi Jinping nos EUA: o 'príncipe' que perdeu tudo antes de se tornar o líder mais poderoso da China
O presidente da China, Xi Jinping, inicia nesta quarta-feira (23/9) em Washington sua primeira visita oficial aos Estados Unidos depois de 11 anos. Mas seu primeiro contato com o país ocorreu muito antes de ele se tornar o líder mais poderoso da China nas últimas gerações.
Quatro décadas atrás, Xi era funcionário municipal no norte da China. Na época, visitou o meio-oeste americano durante uma viagem de estudos. Passou vários dias no Estado de Iowa, aprendendo sobre agricultura e visitando fazendas, hospedado com uma família local. A imprensa estatal chinesa destacou sua estadia naquele lar e sua amizade com o então governador de Iowa, Terry Branstad, que se tornaria embaixador americano na China durante o governo Donald Trump, como forma de ressaltar os vínculos pessoais de Xi com os Estados Unidos. Atualmente, as relações entre Washington e Pequim pouco têm a ver com as daquela época: são marcadas pela concorrência pela influência global, tarifas de importação recíprocas, controles tecnológicos e rivalidade militar.
Hoje com 73 anos, Xi está longe de ser aquele funcionário de baixo escalão. Ele lidera o governo chinês há quase 14 anos, tendo transformado o Partido Comunista e o papel do país no mundo. Sua vida, no entanto, teve um princípio privilegiado. Nasceu em Pequim em 1953 e foi o sexto filho do revolucionário comunista Xi Zhongxun (1913-2002), que colaborou para a fundação da República Popular da China e chegou a ser alto dirigente do Partido e vice-primeiro-ministro. Durante a infância, frequentou escolas de elite e desfrutou de privilégios fora do alcance da maioria das famílias chinesas.
A situação sofreu uma reviravolta quando a política se voltou contra sua família. No início da década de 1960, seu pai foi acusado de fazer parte de uma suposta "facção contra o partido", acabou expulso do Partido Comunista e enviado para trabalhar em uma fábrica no interior. Como filho de uma pessoa considerada "contrarrevolucionária", Xi foi encaminhado à força para um programa de reeducação. Atendendo ao chamado do então líder chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976) para que os jovens fossem ao campo aprender com os camponeses, Xi, com 15 anos, foi transferido para uma zona rural, ao lado de milhões de estudantes procedentes das cidades.
Ele terminou na remota aldeia de Liangjiahe, na Província de Shaanxi, no oeste da China, onde viveu por sete anos em um yaodong, moradia escavada na ladeira de uma colina, realizando tarefas agrícolas, transportando esterco e cavando valas. Aos 22 anos, deixou o campo para estudar engenharia química na Universidade Tsinghua. Depois de se formar, trabalhou como funcionário local longe de Pequim, nas províncias litorâneas de Fujian e Zhejiang. Após a morte de Mao, a reabilitação política de seu pai ajudou Xi a ocupar cargos no governo central e nas Forças Armadas. Em 2007, após um breve período como dirigente máximo de Xangai, ingressou no Comitê Permanente do Politburo, e, cinco anos depois, sucedeu Hu Jintao como líder do Partido Comunista.
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