Lula promete canetas emagrecedoras, mas não sabe quanto custará, quem vai receber nem quando
O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que pretende distribuir canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não tem custo definido, data de início nem critérios de acesso estabelecidos. A promessa foi feita na última quinta-feira (17), em Montes Claros (MG), e não constava do plano oficial de governo nem do esboço inicial da campanha petista.
Para chegar à população, os medicamentos precisam cumprir as etapas regulares de incorporação ao SUS. O processo inclui avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e decisão do Ministério da Saúde, além da definição do protocolo de uso e, principalmente, da fonte de financiamento. Após a apresentação do pedido, a Conitec tem prazo de até 180 dias, prorrogável por mais 90, para concluir a análise.
O anúncio ocorre seis meses depois de o próprio presidente ter feito ressalvas ao uso dos medicamentos. Em março deste ano, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que "o remédio não é um prêmio para quem é relaxado" e defendeu que as pessoas precisam mudar hábitos alimentares e praticar atividade física.
Entidades que atuam na área receberam a medida com esperança e ceticismo. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) cobram há anos ações para o tratamento da obesidade. "A gente luta e luta há anos por uma política pública para a obesidade", diz Alexandre Hohl, diretor da Abeso. Segundo ele, a falta de informações evidencia o improviso da iniciativa. "Vai liberar quando? Qual medicamento? Para quem? Em que quantidade?", questiona. "Não foi nem sequer publicado no Diário Oficial da União."
O governo retoma uma discussão que já existia no Ministério da Saúde desde o ano passado, quando os efeitos de medicamentos que imitam a ação do GLP-1 começaram a ser estudados para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Em agosto de 2025, a Conitec recomendou a não incorporação da semaglutida ao SUS para pacientes com obesidade grau II ou III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e doença cardiovascular, citando impacto orçamentário estimado entre R$ 2,6 bilhões e R$ 4,6 bilhões em cinco anos. Em junho, o ministério autorizou um projeto experimental com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, que acompanha cerca de 250 pacientes do SUS.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar