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Síria: única mulher entre os ministros segue os passos de seu “mentor” jesuíta

Atualizado em 13/09/2026 às 12:50 schedule 4 min de leitura visibility 12 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Hind Kabawat, advogada, professora e ativista, é a única mulher e a única ministra cristã no Governo de Transição da Síria. À frente do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais desde 2025, após a queda do regime de Assad, ela participou em Roma de uma reunião da Plataforma Inter-religiosa para o Diálogo e a Cooperação e concedeu entrevista à mídia do Vaticano.

Em sua mesa de trabalho, diz, não há fotografias de figuras políticas ou familiares. Há uma imagem do padre Paolo Dall'Oglio, sacerdote jesuíta italiano que dedicou a vida à construção das relações inter-religiosas na Síria. "Ele foi meu mentor e meu mestre sobre diálogo", afirmou Kabawat. Como ela, o jesuíta era crítico declarado do regime de Assad; após ser expulso do país nos primeiros anos da revolução, voltou à cidade de Raqqa, então controlada pelos rebeldes, onde desapareceu sem deixar rastro. A ministra recorda com emoção o último encontro com ele: "Anos depois, ao me encontrar em Raqqa, visitei o bar onde o sacerdote foi visto pela última vez rezando".

O diálogo é conceito central para Kabawat, que dedicou grande parte da carreira à construção da paz e a iniciativas inter-religiosas. Segundo ela, o processo de integração das instituições civis e militares curdas, anteriormente autônomas, foi concluído — anúncio feito no fim de agosto. "Agora estamos em sintonia", disse, descrevendo a integração como uma das maiores conquistas do governo de transição até o momento. Ainda assim, reconhece: "Há tensões" e violações de direitos humanos. O país, lembra, é dividido entre tendências islamistas e seculares e fragmentado em grupos étnicos e religiosos — sunitas, curdos, drusos, ismaelitas, yazidis, alauítas, cristãos e outros. Em março de 2025, ataques contra a minoria alauíta deixaram cerca de 1.500 mortos, e uma investigação da Reuters apontou envolvimento de forças aliadas ao governo nos assassinatos. No sul, a população drusa entrou em confronto com tribos beduínas, enquanto o Estado Islâmico permanece ameaça constante no Leste.

Sobre o significado do diálogo, a ministra é direta: "Todo sírio deve estar aberto a certo grau de compromisso. Se as pessoas forem muito radicais, devem saber que não podem radicalizar toda a Síria. Se forem muito leigas, devem saber que não podem tornar leiga toda a Síria. Aqui, podemos encontrar um terreno comum: precisamos de uma boa Constituição, de um Estado de Direito e que todos sejam iguais". As vozes das mulheres, diz, são parte essencial desse processo. Ela manifesta decepção com a baixa representação feminina no novo governo — as mulheres são pequena porcentagem da recém-criada Assembleia Popular — e relata que, no primeiro dia, perguntou por que não havia mais mulheres. Segundo ela, o presidente al-Sharaa a tranquilizou, garantindo que mais mulheres seriam nomeadas para cargos de liderança no futuro. Em seu ministério, metade dos quatorze diretores regionais deverá ser de mulheres.

Kabawat afirma que a Santa Sé tem papel importante na reconstrução do país e elogia o novo Núncio Apostólico na Síria, o arcebispo Luigi Roberto Cona, com quem diz planejar "muito trabalho juntos". Sobre organizações católicas, acrescenta: "Quando a Síria precisou delas, elas estavam lá para nós". Questionada sobre uma possível visita papal ao país, responde: "Eu teria um ataque cardíaco de alegria". E conclui: "Se trabalharmos juntos, poderemos realizar grandes coisas. Se não trabalharmos juntos, não chegaremos a lugar nenhum".

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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