Save the Children: 3 dias sem gastos com petróleo para garantir educação a milhões de criancas
A organização humanitária Save the Children apresentou uma nova análise segundo a qual cerca de 72 horas de subsídios globais à produção de combustíveis fósseis seriam suficientes para financiar cinco anos de educação para 750 milhões de crianças — aproximadamente um terço de todas as crianças do mundo. O levantamento foi divulgado por ocasião do início dos debates da 81ª sessão plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, quando chefes de Estado e de governo se pronunciam em Nova York.
Segundo dados publicados em dezembro de 2025 pelo Fundo Monetário Internacional e divulgados pela Save the Children, ao longo de 2024 os governos de todo o mundo acumularam 725 bilhões de dólares em subsídios diretos aos combustíveis fósseis. O valor corresponde a 145 vezes os 5 bilhões de dólares que a Parceria Global para a Educação (GPE) pretende arrecadar em sua cúpula de refinanciamento, destinada a apoiar a educação em 96 países entre 2026 e 2030.
Os subsídios se traduzem sobretudo em incentivos fiscais, empréstimos a juros reduzidos e redução de custos de produção, extração, transporte e consumo de carvão, petróleo e gás natural. Para a Save the Children, esse uso de recursos públicos alimenta a crise climática, apontada como a maior ameaça à educação de milhões de crianças. A entidade cita como exemplo a enchente ocorrida em agosto no Nepal, causada pelo desabamento parcial de uma geleira, que interrompeu o percurso escolar de milhares de alunos.
“O mundo enfrenta, neste momento, uma crise sem precedentes na área da educação, que precisa urgentemente de investimentos. Os líderes mundiais não têm problema em gastar dinheiro público para financiar subsídios aos combustíveis fósseis — investimentos que estão alimentando a crise climática e agravando a crise educacional. No entanto, quando se trata de financiar ajuda e medidas para a educação, os orçamentos são reduzidos”, declarou Marian Hodgkin, diretora de educação da Save the Children. Ela acrescentou que “o dinheiro existe” e que a questão é “em que escolhemos investir: nas indústrias por trás da crise climática ou nas crianças que a herdarão”.
Além dos 5 bilhões de dólares para a GPE, a organização pedirá mais 600 milhões de dólares no evento de refinanciamento do fundo “Education cannot wait” (ECW), previsto para novembro, a fim de garantir que outros 10 milhões das crianças mais vulneráveis do mundo possam continuar estudando. Dados da ONU para 2025 registraram mais de 273 milhões de crianças e adolescentes sem acesso à escola, enquanto a última análise do Unicef identificou a crise climática como responsável por interrupções nas aulas de mais de 171 milhões de alunos. A Save the Children segue trabalhando com a GPE para ajudar governos de 35 países e territórios mais expostos às mudanças climáticas a reforçar a segurança nas escolas e construir sistemas educacionais resistentes a inundações, chuvas e eventos extremos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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