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Rússia está travando uma 'guerra híbrida' contra a Europa?

Por Ivan Marra
Atualizado em 19/09/2026 às 21:05 schedule 3 min de leitura visibility 34 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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As tensões entre a Rússia e o Ocidente se intensificaram depois que a Alemanha atribuiu diretamente a Moscou o ataque com drones ocorrido no mês passado no aeroporto de Leipzig/Halle. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, afirmou que o envio de um drone carregado de explosivos seguia o "padrão bem estabelecido de operações híbridas russas na Europa" — o uso combinado de táticas militares e não militares para exercer pressão sem desencadear um conflito aberto. Em resposta, Alemanha e Rússia fecharam os centros culturais uma da outra, incluindo o consulado russo em Bonn.

O embaixador dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Matthew Whitaker, descreveu o incidente no aeroporto — que tem participado de operações logísticas de apoio a Kiev — como uma das "ações híbridas mais preocupantes" já vistas na Europa. Ele acrescentou que era importante expressar "veementemente que isso é inaceitável" e que não será tolerado. Moscou negou qualquer envolvimento em Leipzig e rejeitou as acusações alemãs como infundadas, assim como já havia negado acusações referentes a incidentes anteriores.

O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que a ameaça de ataques híbridos por parte da Rússia se intensificou. Em coletiva no Palácio do Eliseu, em Paris, nesta sexta-feira (18/9), afirmou ter ordenado a criação de um plano para proteger infraestruturas críticas e instalações da indústria de defesa. "A intenção é nos intimidar e romper nossos esforços de apoio à Ucrânia. O resultado será exatamente o oposto. Não nos deixamos intimidar, pois sabemos que nossa segurança, hoje e amanhã, está em jogo na Ucrânia", declarou. Macron também anunciou que a França convocará uma reunião do G7 para discutir energia e tratar dos estoques de gás junto à Comissão Europeia.

Especialistas apontam que episódios como esse fazem parte de um padrão mais amplo de ações cada vez mais frequentes na Europa desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022. No início deste ano, o centro de estudos Globsec, com sede em Bratislava, identificou 151 casos de atividade russa contra a Europa entre fevereiro de 2022 e fevereiro de 2026, embora suspeitasse que o número real fosse muito maior. As ações incluíram tentativas de assassinato, incêndio criminoso, sabotagem, vandalismo e distúrbios públicos, com distribuição que, segundo o estudo, "indica fortemente que o apoio à Ucrânia é o fator mais importante na seleção dos alvos".

Emily Ferris, do centro de estudos Rusi, no Reino Unido, afirma que a frequência e a escala dos ataques se intensificaram desde 2022. Segundo ela, Moscou busca criar "discórdia e caos no Ocidente" e aumentar "o custo para a Otan de apoiar a Ucrânia", mantendo-se ao mesmo tempo "abaixo do limiar da guerra". Já Maksym Beznosiuk, pesquisador associado da Globsec, diz que o Kremlin tem "testado a prontidão da Otan, explorando as divisões políticas e jurídicas entre os aliados e criando incerteza intencionalmente". Para ele, o uso crescente da guerra híbrida também responde às "altíssimas baixas" na Ucrânia, ao esgotamento dos equipamentos da era soviética e à pressão econômica sobre Moscou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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