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Pe. Pino Puglisi, 33 anos após o martírio. Em Brancaccio, seu legado continua vivo

Atualizado em 15/09/2026 às 12:50 schedule 4 min de leitura visibility 11 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O bairro de Brancaccio, na periferia sudeste de Palermo, na Itália, mantém vivo o legado do padre Pino Puglisi, assassinado pela máfia em 15 de setembro de 1993 — dia em que completava 56 anos. Trinta e três anos depois, a comunidade que cresceu em torno de seu método de acolhimento segue dando continuidade a uma obra de prestação de serviços à população.

É o que destaca Maurizio Artale, presidente do Centro Padre Nostro, associação fundada por Puglisi em 1991 e inaugurada em 1993, dedicada à reabilitação de jovens em situações de vulnerabilidade e em risco de serem recrutados pelo crime organizado. Segundo ele, o padre não combatia a máfia com declarações ou manifestações, mas havia aberto um espaço onde acolhia a todos, inclusive quem não compartilhava sua fé. Sua abordagem consistia em estar ao lado dos outros nos momentos de necessidade, o que o levou a se preocupar com a falta de água em Brancaccio e com a ausência de escolas e creches.

Essa presença discreta, sem gestos espalhafatosos, fazia de Puglisi um "sinal de alarme" aos olhos da Cosa Nostra. Artale lembra uma escuta em que o chefe mafioso Totò Riina, logo após a beatificação do padre, em 25 de maio de 2013, comentava com outro detento sobre a época em que o padre chegou a Brancaccio e o fato de ter aberto o centro Padre Nostro sem sequer pedir permissão. Para Artale, esse foi o verdadeiro motivo da hostilidade da máfia: uma pessoa ter se enraizado no território a ponto de se tornar ponto de referência.

Do método nasce o legado ainda tangível de Puglisi, descrito por Artale como a concretização de um projeto de longo prazo. O bairro mudou muito, afirma, e o sonho do padre de melhorar a região se traduziu em pontos de encontro e serviços: a escola de ensino médio que ele tanto desejava, creches em construção, o centro para idosos, o centro de convívio para jovens e menores e o centro polivalente, que acolhe mães vítimas de abuso e maus-tratos. Cada estrutura responde a uma lacuna que Puglisi já havia identificado durante seus anos de atuação.

Há ainda um tema menos conhecido: na véspera de Natal de 1992, o padre enviou uma carta aos detentos da prisão de Ucciardone, dizendo estar ciente de seus erros e do caminho de expiação que enfrentavam, mas garantindo que, se quisessem, voluntários iriam visitá-los e que, uma vez em liberdade, encontrariam as portas do Centro de Acolhimento Padre Nostro abertas. O serviço continua sendo oferecido há muitos anos, como alternativa concreta a quem, ao sair da prisão, corre o risco de voltar aos mesmos círculos em que estava envolvido.

Artale relata ter visto Puglisi pessoalmente apenas uma vez, durante uma procissão religiosa em 1993, sem sequer trocar olhares com ele. Meses depois, ao receber a notícia do assassinato, diz ter compreendido a grandeza daquele homem. Sobre a mensagem a quem deseja levar adiante seus valores, afirma que é preciso, antes de tudo, estar motivado, e que quem trabalha no Centro Padre Nostro não se considera um simples agente, mas um missionário. Na tarde deste 15 de setembro, a Catedral de Palermo acolhe uma cerimônia religiosa pelo 33º aniversário do martírio, presidida pelo cardeal arcebispo de Nápoles, Domenico Battaglia.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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