Para Flávio, era sair do Brasil ou ter o mesmo destino de seu pai
O senador Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos com a família após deixar o Brasil, em um trajeto que passou pela Argentina e pelo Equador. A saída ocorreu depois que a Polícia Federal pediu a retirada de seus passaportes, decisão tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o comentarista Alexandre Garcia, o senador entrou em território norte-americano portando um passaporte italiano.
Para o ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello, a atitude de Flávio foi de "autodefesa" preventiva. Conforme relata Garcia, sete minutos após a confirmação do resultado da eleição, a PF já solicitava a retirada dos passaportes, e Moraes acolheu o pedido. O comentarista observa que o ministro permanecia calado à espera do resultado e, diante da derrota do senador, determinou imediatamente a medida.
O senador agradeceu aos governos da Argentina e dos Estados Unidos pela operação rápida. Na terça-feira, por volta das 22h50, a família atravessava a Ponte Tancredo Neves, sobre o Rio Iguaçu, entrando em Puerto Iguazu, onde foi conduzida pela polícia argentina para o embarque — gesto atribuído ao governo de Javier Milei. Após uma parada em Guayaquil, no Equador, o grupo seguiu para Miami.
Garcia aponta razões para a decisão do senador. Lembra que o pai, Jair Bolsonaro, foi aos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, retornou em 30 de março de 2023 e acabou preso e condenado. O comentarista sustenta que Flávio acompanhou de perto esse desfecho e outros casos que considera perseguição, e por isso imaginou que seria o próximo da fila. Ele também menciona a ordem do ministro Cristiano Zanin, seguida da entrega dos passaportes, e critica o que descreve como um círculo de decisões judiciais e políticas envolvendo Moraes, Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O comentarista compara a situação de Flávio à do venezuelano Edmundo González, que precisou deixar o país após a eleição de 2024, e afirma que o senador se dirige à comunidade internacional declarando-se presidente eleito e denunciando fraude. Garcia recorda ainda outros períodos de exílio na história brasileira e afirma que não se trata apenas de Flávio: muitos brasileiros estão na Argentina, na Espanha e nos Estados Unidos em busca de liberdade de expressão e à espera do retorno da democracia.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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