'Nunca tinha visto modelos apontarem uma área tão grande de risco': temporal que já deixou vítimas no RS agora ameaça Estado com enchentes
O Rio Grande do Sul contabiliza os estragos de um fim de semana de tempo severo e agora enfrenta o risco de enchentes e inundações. Segundo balanço divulgado pela Defesa Civil na manhã desta terça-feira (22/09), o estado registra duas mortes, três feridos e três pessoas desaparecidas, com danos relatados em 146 municípios e mais de 527 mil pessoas afetadas.
Em Pelotas — município com o maior número de atingidos, mais de 336 mil —, um homem morreu ao colidir com um fio elétrico que atravessava a rua enquanto conduzia uma motocicleta. Em Caxias do Sul, uma enxurrada arrastou um veículo com três ocupantes: uma criança de 4 anos, uma adolescente de 13 e uma mulher de 43 anos ficaram desaparecidas. A Defesa Civil confirmou um óbito no município, mas o boletim não especifica qual das vítimas foi localizada. Um outro desaparecido é um homem que sumiu enquanto limpava uma galeria pluvial na cidade. O Corpo de Bombeiros segue as buscas.
O balanço aponta ainda 413 pessoas desabrigadas e 2.732 desalojadas. Foram contabilizadas 21 casas destruídas, 389 danificadas, 1.978 destelhadas e 110 alagadas, além de danos em 38 escolas, 17 estabelecimentos de saúde e outros 37 prédios públicos ou privados. Depois de Pelotas, os municípios com mais gente afetada foram Santa Vitória do Palmar, que chegou a ficar totalmente sem energia elétrica, e Viamão. Em estrago material, o destaque foi Nova Santa Rita, no Vale do Caí, onde 400 casas ficaram sem telhado.
O aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) que motivou o alerta vermelho cobria 699 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, prevendo chuva superior a 60 mm por hora ou acima de 100 mm em um dia, ventos acima de 100 km/h e queda de granizo. Para a região metropolitana de Porto Alegre e Caxias do Sul, o órgão detalhou risco de ventos de até 120 km/h e chuva de até 100 mm por hora.
O eixo mais crítico, porém, mudou nesta terça-feira. Segundo a meteorologista Estael Sias, da MetSul, o cenário de vendaval generalizado já passou e o risco agora é hidrológico e geológico. Chuva de 100 mm a 150 mm atingiu a Serra Gaúcha e os Campos de Cima da Serra, onde nascem rios que registram elevação rápida. "A bacia do rio Taquari, o rio Caí já estão em rápida elevação, e também a bacia do rio dos Sinos", afirma. A previsão é de continuidade da chuva entre esta terça e o início da quarta, o que eleva o risco de queda de barreiras e deslizamentos, que, segundo ela, já começaram a ocorrer.
O governador Eduardo Leite afirmou, em publicação nas redes sociais, ter determinado o envio de telhas para famílias de baixa renda que tiveram casas destelhadas e acionado a distribuidora de energia para priorizar o restabelecimento em hospitais e estações de tratamento de água. Segundo ele, a Defesa Civil registrou cerca de 200 mm de chuva nas cabeceiras dos rios da bacia Taquari-Antas, e projeções foram compartilhadas com prefeitos do Vale do Taquari para orientar a retirada preventiva de famílias de áreas de risco.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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