Mensagens citam tratativa de “sociedade” entre Motta e Vorcaro; deputado nega ilícito
Mensagens atribuídas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicam que ele teria sugerido a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um "formato em sociedade" na aquisição de um terreno em João Pessoa (PB) que estava em nome de sua cunhada. O material foi recuperado pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro e divulgado nesta segunda-feira (28) pelo site Fatos Online e pela Folha de S.Paulo.
Segundo as publicações, as conversas começaram em 9 de março de 2024 e os dois se tratavam como "amigo" e "irmão". Em uma das mensagens, Motta teria dito que estava reunido para finalizar a negociação de compra da área e que os documentos já haviam sido assinados passando a empresa para sua cunhada, mas que ela não teria conhecimento do "formato de sociedade que ficou combinado".
O Master teria concedido um empréstimo de R$ 22 milhões à cunhada do parlamentar, operação que teria sido solicitada diretamente por Motta. O valor teria ajudado a viabilizar a compra do terreno, adquirido por R$ 45 milhões, que deve ser transformado em um novo bairro. Em 15 de março, após a consolidação do negócio, Motta teria agradecido pela "confiança e a parceria", e Vorcaro teria respondido que aquele seria "o início de uma parceria de vida".
Os arquivos periciados também indicam que, em novembro de 2024, Vorcaro pediu auxílio ao presidente da Câmara sobre o projeto de lei referente a créditos do mercado de carbono, recebendo informações sobre o texto aprovado no Senado. Em outra troca de mensagens, de 23 de março do mesmo ano, Motta teria solicitado ao ex-banqueiro um estudo técnico sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), afirmando que poderiam conversar pessoalmente em Brasília para avaliar "onde podemos tentar encaixar esse assunto". O material aponta ainda que, em 27 de abril de 2024, Vorcaro teria disponibilizado uma aeronave privada para transportar o deputado de Guarulhos a Brasília.
Em nota, Motta afirmou que "não há nenhum ilícito retratado nos diálogos" e classificou as citações como "conversas descontextualizadas". O deputado disse que, ao longo de seus quatro mandatos, sempre manteve diálogo com diversos segmentos do empresariado e representantes da sociedade brasileira, e criticou a "tentativa de atribuir conversas descontextualizadas a qualquer relação de interesse espúrio ou de favorecimento por minha parte". Sobre o empréstimo de sua familiar com o Banco Master, sustentou que o contrato privado foi firmado antes da divulgação pública das investigações sobre a instituição e seu controlador, e reiterou que confia nos órgãos responsáveis pelas apurações.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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