Mendonça alerta que abertura do celular de Vorcaro coloca em risco sessão do STF e investigações
O ministro André Mendonça afirmou que a abertura de todo o conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode comprometer as investigações do Banco Master e tumultuar a sessão de julgamento de Alexandre de Moraes marcada para a próxima terça-feira (15). Em despacho encaminhado neste domingo (13) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, Mendonça sustentou que a inclusão de elementos que ainda não constam dos autos prejudicaria o andamento do caso.
“A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações”, declarou o ministro, que foi retirado da relatoria do processo por Fachin.
Segundo o despacho, todo o material que será utilizado no julgamento da próxima terça-feira está disponível, na íntegra, a todos os ministros da Corte. “Este ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão”, afirmou Mendonça. Na avaliação dele, a divulgação de novas informações pode abrir espaço para questionamentos que desviem o julgamento de seu caminho natural.
A manifestação ocorre após Fachin conceder prazo de 24 horas, no sábado (12), para que a Polícia Federal (PF) enviasse informações sobre o estado dos dados do celular do empresário preso e sobre a custódia do aparelho. Em resposta à intimação, a PF informou que pode encaminhar cópias do conteúdo apreendido aos ministros do STF. O pedido de acesso à cópia integral das mídias extraídas foi feito pelos ministros Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também encaminhou ofício a Fachin defendendo o envio das cópias integrais do conteúdo a todos os ministros. Mendonça ainda lembrou que Fachin enfatizou que “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos” e que o presidente do STF não tolerará “subterfúgios ou desvios de rotas” por interesses alheios aos da Justiça.
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