Lula conquista virada inédita e terá quarto mandato como presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo e cumprirá seu quarto mandato até 2030, tornando-se o primeiro presidente da história democrática brasileira a se reeleger duas vezes. Com 96% das urnas apuradas, Lula obteve mais de 64 milhões de votos, diferença de pouco mais de 4 milhões sobre Flávio Bolsonaro (PL), resultado considerado irreversível pela Justiça Eleitoral. O novo mandato tem início previsto para 5 de janeiro de 2027.
É também inédito o feito de vencer uma eleição após terminar o primeiro turno em segundo lugar. A campanha ganhou novo fôlego com manifestações nas ruas e atuação massiva nas redes, sob comando do deputado André Janones (Rede-MG), boa parte sem participação direta da direção do PT. Em uma live ao lado de Janones, Lula afirmou que a mobilização popular o obrigará a discutir "um novo jeito de governar este país".
O cenário político, porém, é o mais adverso desde que o petista chegou ao poder, em 2003. O PL de Flávio Bolsonaro foi o partido que mais cresceu na eleição, chegando a 121 deputados federais e a 28 senadores a partir do ano que vem. Para o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice, será um cenário "inédito e desafiador", com uma das Casas claramente de oposição. O historiador Lincoln Secco, da USP, observa que o PT historicamente prefere a negociação ao confronto, mas resta saber qual postura será adotada diante de um Congresso tão antagonista.
Na economia, o governo terá de responder à cobrança do mercado por ajuste nas contas públicas, com a dívida bruta em R$ 11,1 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. A aprovação do governo era de 49% na última pesquisa Datafolha antes do segundo turno, com 36% de ótimo e bom e 48% de desaprovação. O governo lançou uma série de medidas populares na reta final da campanha, como isenção de imposto de renda para a classe média, reajuste do Bolsa Família, perdão de dívidas para MEIs e o programa Desenrola 3. Ainda assim, segundo Aragão, persiste a insatisfação com o custo de vida e o endividamento recorde.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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