Lula aos 80 anos: a 'última dança' do presidente em sua eleição mais difícil
Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) disputa neste domingo (25/10) o segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL) em condições que analistas e integrantes da própria campanha classificam como as mais difíceis de sua trajetória desde que chegou ao poder. No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — diferença de 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos. O petista também recebeu menos votos do que em 2022 em todos os Estados do Nordeste, região que historicamente constitui uma de suas principais bases eleitorais.
O histórico das eleições presidenciais brasileiras dimensiona o desafio: nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar o resultado e vencer no segundo turno. Esta, porém, é a disputa com a menor diferença entre o primeiro e o segundo colocado. Diante da desvantagem, a campanha petista reviu a estratégia. Lula passou a enfatizar os riscos que, segundo ele, a eleição de Flávio representaria para programas sociais como o Bolsa Família, ampliou a presença nas redes sociais e apostou em pautas de forte apelo eleitoral, como a aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso. Nas ruas, milhares de pessoas participaram de atos de campanha, em mobilizações que não se viam desde 2022.
Para o professor Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), trata-se da eleição mais difícil entre as que Lula tinha chances reais de vencer. Ele aponta entre os fatores as mudanças estruturais no Brasil — com alterações nas aplicações de emendas parlamentares que modificaram a correlação de forças no Congresso e afetaram a forma de governar — e a persistência e a intensidade da polarização política no país, hoje mais radicalizada do que no período de disputa entre PT e PSDB.
A trajetória de Lula até o Planalto foi longa. O metalúrgico que ganhou projeção nacional ao liderar greves no ABC paulista durante a ditadura militar participou da fundação do PT, em 1980, e chegou à Assembleia Nacional Constituinte como deputado federal, em 1986. Perdeu a primeira disputa presidencial em 1989, no segundo turno, e foi derrotado no primeiro turno em 1994 e 1998. Venceu em 2002, foi reeleito em 2006 e deixou o governo em 2010 com 83% de aprovação, ajudando a eleger Dilma Rousseff. Preso em 2018, ficou impedido de disputar aquela eleição; em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou suas condenações e devolveu-lhe os direitos políticos. No ano seguinte, derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por margem estreita.
Em campanha, Lula afirma que esta é sua última disputa pelo cargo. Em comício em São Luís, no Maranhão, disse a apoiadores que esta é sua última campanha para presidente da República e que quer um mandato histórico. O lançamento de sua sétima campanha presidencial ocorreu em 16 de agosto, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, mesmo local de onde liderou a greve de metalúrgicos que pavimentou o caminho entre o sindicalista e o político.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar